Luiz Octávio Vaz (esquerda), Romilson Meirelles e Victor Ellery com a mascote do Flamengo, um urubuArquivo Pessoal

O Flamengo postou uma mensagem em homenagem a Luiz Octavio Vaz, que morreu neste domingo (23). O torcedor foi um dos quatro amigos responsáveis pela transformação do urubu em mascote, após soltar o animal para voar no Maracanã, tornando-se símbolo do clube e da torcida.
"O Flamengo se despede de Luiz Octavio Vaz, um dos torcedores que, em 1969, soltaram um urubu no Maracanã – e o que era provocação virou símbolo de raça e paixão. Assim nasceu nossa mascote. Obrigado por fazer parte da nossa história. Descanse em paz", postou o Rubro-Negro.

A história do urubu com o Flamengo

O fato aconteceu num clássico com o Botafogo, em 1º de junho de 1969. Até então, o termo racista urubu era utilizado para estereotipar e provocar o clube e principalmente seus torcedores, em maioria negros e pobres.
Como resposta provocativa, o grupo de amigos de Luiz Octávio Vaz, que contava também com Romilson Meirelles, Victor Ellery e Erick Soledade teve a ideia de levar o urubu ao estádio com mais de 150 mil pessoas.
"Minha tia fez uma bandeira do Flamengo de quase um metro. Amarramos a bandeira no pescoço do urubu e levamos assim para o Maracanã", contou Luiz Octávio em uma entrevista ao jornal O Dia em 2019, ano em que completaram-se 50 anos do gesto.

O animal foi solto antes da entrada dos dois times. Após segundos em que parecia que iria cair, ganhou o ar e voou até ousar no gramado, levando os rubro-negro à loucura. "É urubu, é urubu, é urubu", gritaram.

O gesto deu sorte, o Flamengo venceu por 2 a 1 o Botafogo, e o resto virou história, com o urubu tornando-se a mascote do clube.