José Boto é o diretor técnico de futebol do FlamengoReprodução / Flamengo

Rio - O diretor técnico de futebol do Flamengo, José Boto, viu um pênalti não marcado para o time carioca no empate por 1 a 1 com São Paulo, no domingo (26), pelo Brasileirão. Em vídeo divulgado pela assessoria do clube na noite desta segunda-feira (27), ele também reclama de falta de critério no futebol brasileiro.
"Não acho que os árbitros brasileiros sejam maus. Acho que o grande problema do Brasil é a falta de critério. Nós tivemos agora no Mundial, Raphael Claus, o Wilton (Pereira Sampaio) e (Ramon) Abatti com boas atuações, porque ali os critérios são claros. Como vimos, por exemplo, uma falta que aqui deu a expulsão do Carrascal, no Mundial nem sequer falta é".
"Em relação ao jogo de ontem, é sempre claro se a utilização do braço ostensivamente, mesmo que o braço esteja perto do corpo, para tirar vantagem é falta ou não é falta. Na minha ótica, e já perguntei até a alguns árbitros amigos, aquilo é pênalti, porque ele tira vantagem na utilização do braço, apesar do braço estar quase junto ao corpo. Mas é clara a intenção dele de desviar a bola e a trajetória da bola com o braço e não com outra parte do corpo que é jogável".
O lance em questão aconteceu aos 31 minutos do segundo tempo, quando a bola bate em Wendell. A partida já estava empatada em 1 a 1. Na visão de Boto, deveria ter sido marcado pênalti após aquele contato com o braço do jogador do São Paulo dentro da área.
"De qualquer forma, a comissão de arbitragem tem que vir e tem que dizer: 'Não, aqui a regra é esta e sempre esta'. Isso ajuda ao árbitro e ajuda ao VAR. O (Anderson) Daronco, que considero excelente árbitro, não o culpo, porque a visão dele não era a mais clara, mas a do VAR tem que ser clara. E se a regra é essa, tem que ser essa para sempre, a CBF tem que dizer que é essa".
O jogo também foi marcado pelo gol anulado de Samuel Lino com o uso do impedimento semiautomático. O lance aconteceu já na reta final de partida, e a tecnologia ajudou a pegar um impedimento de Wallace Yan no lance.
"Eu não sou especialista em tecnologia, mas há um ponto que tem que ser esclarecido: quando é que aquela linha é traçada? O impedimento deve ser traçado no momento do passe, e isso nunca é visível nas imagens que ontem dão. Só mostrou os dois jogadores (na área): o pé do Wallace Yan e o pé do outro jogador. Não temos a certeza e nem sabemos - não estou a duvidar que não seja - que aquela linha foi traçada na altura que o passe é feito".
"É isso que conta e é isso que também a CBF e a comissão de arbitragem têm que esclarecer e dizer: 'Meus amigos, está certo ser traçado assim, falta-nos um software qualquer para mostrar isso'. Isso evita qualquer polêmica. Mas o que se pede são critérios iguais, e isso não depende dos árbitros, depende da comissão de arbitragem da CBF".