José Boto é o diretor técnico de futebol do FlamengoCarlos Elias Junior/Arquivo O Dia

O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, criticou a decisão de diminuir o número de estrangeiros relacionados pelas equipes brasileiras na próxima temporada. Em entrevista ao "Coluna do Fla", o português avaliou os possíveis impactos da medida para o futebol nacional e disse que a qualidade do esporte será prejudicada.

"Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro. Pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos, e os clubes, não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai abaixar a qualidade da liga brasileira", disse Boto.

Entenda a nova decisão

Clubes das Séries A e B do Brasileirão aprovaram uma proposta da CBF que prevê a diminuição do limite de jogadores estrangeiros por equipe nas competições nacionais. A aplicação da medida foi confirmada por meio de votação nesta segunda-feira (21).

Na reunião, as equipes concordaram em promover uma redução gradual do limite. Atualmente, as competições nacionais permitem às equipes relacionar nove estrangeiros por partida. A ideia é reduzir esse número em um atleta por ano, até chegar ao máximo de cinco não brasileiros em cada time por jogo em 2030.

2026 (atual): 9 estrangeiros por time
2027: 8 estrangeiros por time
2028: 7 estrangeiros por time
2029: 6 estrangeiros por time
2030: 5 estrangeiros por time

O Rubro-Negro foi a única equipe do Rio de Janeiro a não aprovar a ideia de diminuição de estrangeiros no país. Além do Flamengo, Bahia e Londrina também foram contra a decisão.

Quantos estrangeiros tem no Flamengo?

O Flamengo conta com 10 atletas de outros países no elenco, sendo eles os uruguaios Giorgian Arrascaeta, Guillermo Varela e Nico De La Cruz; os argentinos Rossi e Joaquín Freitas; o chileno Erick Pulgar; o italiano Jorginho; o espanhol Saúl; o colombiano Carrascal; e os equatorianos Gonzalo Plata e Anthony Valencia.

Apesar disso, o Rubro-Negro não é a equipe com maior número de estrangeiros no Rio de Janeiro. Vasco e Botafogo lideram atualmente, com 12 jogadores de outros países, enquanto o Fluminense tem o menor número, com nove.

Outras ideias

José Boto também deu outra sugestão para a CBF para os próximos anos: que um jogador não possa mudar de equipe após fazer 12 jogos, algo que será discutido na próxima reunião de clubes.

"Acho que há uma medida que essa, sim, faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo e isso faz com que o dinheiro saia daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro", concluiu.