Registro do amistoso entre Fluminense e Itália, disputado em 2014Nelson Perez / Fluminense
Laços com imigrantes italianos unem Fluminense e Palmeiras; entenda
Tricolor e clube paulista, que duelam pela Libertadores nesta quarta-feira (14), possuem histórico de relações com o país europeu
Fluminense e Palmeiras se enfrentam nesta quarta-feira (14), às 21h30, no Maracanã, pelo primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores. O duelo coloca frente a frente duas das principais equipes do futebol brasileiro nos últimos anos, mas além disso, também serve de palco para um confronto entre times que têm uma característica histórica em comum: a ligação com a Itália e os laços com imigrantes italianos.
A identificação entre o Fluminense e a Itália começa pelas três cores do clube: grená, verde e branca, extremamente semelhantes à bandeira do país, substituindo apenas o grená por vermelho. Originalmente, as cores do escudo eram cinza e branca – o clube adotou as colorações que duram até hoje em 1904 devido a problemas para adquirir o material cinza.
Desde então, o time despertou a atenção de imigrantes italianos, mesmo tendo sido fundado por Oscar Cox, filho de um imigrante inglês. Com isso, era normal, ao longo do século XX, ver bandeiras do Fluminense em bancas de jornais por todo o Rio, já que muitas delas pertenciam a imigrantes italianos, que se identificavam com as cores do já tradicional clube de futebol.
Até hoje, a identidade do clube é notada por sua relação com o país europeu. Nas redes sociais, torcedores utilizam o emoji da bandeira italiana para se identificarem como tricolores.
O Fluminense também é um dos poucos brasileiros que já enfrentou a seleção italiana, em 8 de junho de 2014. A partida foi um amistoso de preparação da equipe europeia para a Copa do Mundo daquele ano, disputada no Brasil. O Tricolor carioca acabou perdendo por 5 a 3; Carlinhos, Chiquinho e Matheus Carvalho marcaram para os brasileiros, enquanto Insigne (2) e Immobile (3) fizeram os gols dos italianos.
Além disso, o Fluminense já enfrentou clubes italianos 14 vezes na história e nunca foi derrotado, com 11 vitórias e três empates. O duelo mais recente foi contra a Inter de Milão, pela Copa do Mundo de Clubes – o Tricolor superou o adversário por 2 a 0, avançando à semifinal.
Já as relações do Palmeiras com a Itália são mais claras e enraizadas na história do clube paulista, fundado por imigrantes italianos com o nome de Palestra Itália para representar esportivamente a colônia do país em São Paulo.
A equipe mudou de nome em 1942, no auge da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do Eixo e declarou guerra contra a Alemanha e a Itália. Sob o governo de Getúlio Vargas, o país passou a perseguir instituições associadas aos inimigos. Então, a direção do time escolheu o novo nome de Sociedade Esportiva Palmeiras, em homenagem à Associação Atlética das Palmeiras, clube que havia apoiado o Palestra em disputas jurídicas no passado.
A relação entre o Palmeiras e a Itália é tanta que recentemente, no último dia 18 de setembro, uma comitiva composta por autoridades do país visitaram a sede do clube, incluindo o subsecretário de Estado das Relações Exteriores da Itália, Massimo Dell’Utri, e o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese.
“Para nós, é uma alegria muito grande receber essas autoridades e apresentar um pouco da nossa história e das nossas raízes. O Palmeiras é e sempre foi um clube de todos, que se orgulha de suas origens e mantém vivos os laços fraternos com a comunidade italiana”, afirmou o vice-presidente do Palmeiras, Paulo Buosi, na ocasião.
Com os laços italianos em comum, Fluminense e Palmeiras começam, nesta quarta-feira, a disputa pela vaga na final da Libertadores. A bola rola às 21h30, no Maracanã.

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