Diniz (ao fundo) em ação durante o clássico entre Vasco e Flamengo, no MaracanãGilvan de Souza / Flamengo

Rio - Técnico do Vasco, Fernando Diniz criticou a expulsão de Barros na derrota por 1 a 0 para o Flamengo, nesta quarta-feira (21), no Maracanã, pela terceira rodada do Campeonato Carioca. O volante levou cartão vermelho no começo do segundo tempo por uma entrada em Carrascal. No lance, acertou a panturrilha do meia-atacante com a sola da chuteira e o árbitro Bruno Arleu de Araújo não hesitou em mandá-lo para fora de campo.
"É uma expulsão, para mim, ridícula, um negócio sem sentido. Eu sinceramente ainda não consegui entender. Teve um lance um pouco antes no primeiro tempo, com o Andrés Gómez, que o cara chuta no alto, pega no pé dele... eu nem acho esse lance para expulsão, mas esse (do Barros) foi muito menos. O cara está passando, não sei se o Barros tentou dar um "totó" no cara. Não tem nada, não tem força excessiva, risco de lesionar o jogador, nada", iniciou o treinador, em entrevista coletiva.
"Aí tem uma câmera que eles pegam, que para, com a perna da chuteira do Barros perto da panturrilha... Não tem força nenhuma ali, zero. É uma expulsão que condiciona muito o que poderia ser o segundo tempo. A impressão é de que o jogo ia ser outro. Você vai ver que o campeonato vai acontecer, Carioca e Brasileiro, e o critério não vai ser o mesmo. Um lance como esse não vai acontecer a expulsão. Com aquela contundência ainda, com aquela vontade de expulsar, vai ser muito difícil acontecer", completou.
Apesar da reclamação, o comandante reconheceu a superioridade do rival: "Acho que o Flamengo jogou melhor que a gente no primeiro tempo. A gente não ficou à vontade para fazer o jogo que precisava. No segundo tempo, com um jogador a menos, a gente podia ter mais coragem para fazer o jogo que era necessário. A gente voltou para o segundo tempo com uma postura diferente, com correções, embora tenha sido só cinco minutos".
Com o resultado, o Vasco permaneceu com quatro pontos e ocupa a terceira posição no Grupo A da Taça Guanabara. O próximo compromisso será contra o Boavista, domingo (25), às 20h30 (de Brasília), no Estádio Elcyr Resende, em Saquarema, pela quarta rodada do Estadual.

Outras respostas de Diniz

. Ausência de Rayan: "Temos que pensar para a frente agora. Obviamente que, se o Rayan estivesse hoje, ele teria feito coisas positivas no jogo porque ele era o grande destaque do nosso time no ano passado e começou a temporada sendo o grande destaque do time. Nesse momento ele ainda faz falta, a gente vai ter que se virar com chegada de outro jogador e, enquanto isso, com aquilo que tem para a gente suprir a ausência do Rayan. Jogando de outra maneira, com outra característica. Vai ser muito difícil achar outro Rayan. A gente não vai ter 35 milhões de euros para pagar num jogador, que é o valor pelo qual o Rayan foi vendido. E acho que ele valia até mais".
. Tabu contra o Flamengo: "Eu não acho que atrapalhou no jogo de hoje. Acho que a gente jogou mal no primeiro tempo, a gente saiu jogando em algumas vezes com lentidão, não todas as vezes. Uma coisa que a gente também fez muito mal foi demorar muito a pressionar o Flamengo. Nas vezes em que pressionou, o Rossi chutou a bola para fora ou chutou para frente sem direcionamento. Faltou jogar mais dentro das nossas características e fazer uma partida melhor. Repito: aparentemente, quando a gente voltou para o segundo tempo, o jogo ia ser outro. Tudo indicava que a gente ia ter uma postura mais agressiva tanto na marcação quanto com a bola".
. O que faltou?: "Acho que faltou jogar dentro das nossas características. O aprendizado continua. A gente não foi um Vasco grande somente no primeiro tempo. É um aprendizado. Isso você pode ter certeza: a gente vai trabalhar para aprender a jogar com a grandeza que a gente precisa. A gente poderia ter jogado muito melhor no primeiro tempo. O espaço que teve para jogar bem no segundo tempo foi muito pouco, com a igualdade numérica por cinco minutos apenas. Mas no primeiro tempo era para ter jogado bem melhor. Vamos aprender, vai ter que jogar melhor. Vai ter outros clássicos, vamos jogar de novo contra o Flamengo, se não for agora no Estadual, vai ser no Brasileiro, em outras competições. Nesse sentido, a gente vai fazer melhor do que a gente fez hoje".
. Por que o Vasco sofreu para pressionar o Flamengo?: "Eu acho que faltou circulação. O maior erro nosso foi jogar fora das nossas características hoje. Por incrível que pareça, no segundo tempo, com um jogador a menos, a nossa chance era se aproximar, ganhando campo do Flamengo de maneira paulatina para chegar com mais gente no ataque. As chances que a gente teve foram dessa forma. Obviamente que teve um lance que ele (árbitro) teve uma contundência muito grande para marcar o impedimento, da bola na trave. Se entra, seria gol. Mas o Flamengo não estava oferecendo tantas bolas nas costas hoje. Quando a gente se dispôs a jogar com mais velocidade, circulando a bola de um lado para o outro, a gente conseguiu empurrar o Flamengo para trás e criar boas situações... não foram muitas. No primeiro tempo houve duas, principalmente aquela com o GB".
. O que esperar de Hinestroza?: "O Hinestroza é um jogador com características um pouco parecidas com as do Andrés Gómez, um jogador rápido, com bastante energia física, com boa técnica, que estava aqui na base do Palmeiras por dois anos. No ano passado a gente acabou acompanhando ele com mais intensidade no Atlético Nacional, que ele acabou caindo na chave do Inter. Na janela do meio do ano a gente já tinha tentado o Hinestroza. Acho que é um jogador que tem tudo para vir e nos ajudar".
. O que pode melhorar?: "Hoje faltou bastante coisa. De todas as perguntas feitas, a maioria foi com pertinência. A gente fez um primeiro tempo muito ruim. Repito: a gente pressionou mal, não marcou bem em linha média-baixa e a gente teve um jogo em alguns momentos muito lento, com pouca imposição para chegar no ataque de maneira mais contundente. No primeiro tem que melhorar quase tudo. No segundo infelizmente teve a expulsão, que condiciona muito o resultado do jogo. Mas repito: nos cinco minutos iniciais, a partida se mostrava bem diferente porque a gente fez muita correção no intervalo, o time ia pressionar mais rápido. Provavelmente naqueles cinco minutos a gente teve mais posse que o Flamengo, a gente estava conseguindo ser mais vertical, com um pouquinho mais de aceleração. Mas o jogo depois da expulsão ficou condicionado de outra maneira".
. Faltou ambição?: "Acho que faltou, eu concordo com você. O que foi pior no jogo do Vasco hoje foi uma questão de comportamento. A gente tinha tudo para jogar muito melhor, marcar muito melhor e jogar muito melhor. Foi uma coisa de comportamento. A gente tem que ser criticado por isso. A gente não pode ter o comportamento que a gente teve no primeiro tempo. Não é o jeito que eu quero que o Vasco jogue e não é o jeito que o Vasco tem que jogar. É uma coisa que a gente tem que aprender e aprender rápido, não pode repetir esse tipo de comportamento".
. Nível físico atrapalhou?: "Difícil falar. O jogo de hoje não teve nada a ver com parte física. Se fosse assim, o time deveria jogar muito pior no 2º tempo e deveria jogar pelo menos bem uns 15 ou 20 minutos do 1º tempo. O time está bem fisicamente e em condições de produzir um grande jogo. Deu para ver contra o Maricá. Fisicamente também contra o Maricá. Jogou mais de um tempo com um a menos e conseguiu produzir chances. Se defendeu bem também. Hoje o problema não tem a ver com a parte física. Um problema tático, mas que tem muito a ver com comportamento também".
. O que esperar do Brasileiro?: "Acho que foi um ponto fora da curva o que fizemos hoje. Acredito no time, acredito que vamos melhorar, faremos melhor do que no ano passado. E acredito que o torcedor terá mais motivo para sorrir do que teve no ano passado".
. Expulsões por descontrole emocional?: "Situações muito diferentes as expulsões. Expulsão do Piton na altitude que ele chega atrasado, do Hugo Moura também chega atrasado contra o Fortaleza. A de hoje a expulsão é por erro da arbitragem. As expulsões são diferentes. Eu não vejo muita expulsão no nosso time por descontrole emocional. A do Piton foi um erro de saída que ele perdeu uma bola fácil e fez a falta, era ultimo homem. Até acho que foi falta nele antes do lance, mas ele ficou de pé e acabou fazendo a falta e sendo expulso contra o Maricá".

"Eu não acredito que tenha expulsão aí por descontrole emocional, que jogador deu porrada no outro contundentemente. Eu não vi expulsões por causa de descontrole. Mas é uma coisa que a gente tem que corrigir, descobrir o que tem de comum em algumas delas para evitar que elas aconteçam porque elas acabam na maioria das vezes determinando o resultado dos jogos".