Caio Resende, presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do FutebolReprodução / ge
"O que a gente percebe lá fora é que a análise desse tipo de caso pode se tornar muito complicada. É uma análise que a estrutura societária de cada clube, de que pessoas ou que grupos têm de fato poder decisório dentro de cada clube", afirmou, em entrevista ao "ge".
Caio deu mais detalhes sobre as implicações da negociação. "Uma pessoa não pode ser diretora esportiva de dois clubes ao mesmo tempo, por exemplo. Isso é bem objetivo. Eu, Caio, ser diretor esportivo de clube A e clube B, evidentemente isso cria série de implicações éticas que podem comprometer a integridade da competição. Então, nesse aspecto é bastante objetivo. Mas outros aspectos, que vão envolver a estrutura societária, quem tem 10%, quem tem 20%, quem de fato opina, podem exigir análise mais elaborada."
O mandatário também analisou o cenário das redes multiclubes no mundo. "O que a gente percebe lá fora é que, como a estrutura dos multiclubes está se tornando muito complexa, às vezes é difícil analisar sob o ponto de vista societário: 'Ah, o fundo tal é detentor de participação em outro fundo que detém um clube'. Mas ele tem poder decisório? Ele tem capacidade de comprometer? Essas situações podem levar a uma análise mais profunda da agência, sim", destacou.
O presidente da ANRESF afirmou, no entanto, que até agora, ninguém foi procurado por Vasco e Palmeiras para debater o assunto. De acordo com a regra do fair play, qualquer tipo de alteração societária deve ser informada em até 30 dias para começar a análise de caso.
"Todo dia 30 de abril, todos os clubes têm de informar toda estrutura societária. Informar o que chamamos das pessoas-chaves da administração. Quem é o diretor financeiro, quem é o diretor de futebol, quem é o diretor jurídico, o presidente, o CEO, tudo isso tem que informar a cada 30 de abril", concluiu.

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