Renato Gaúcho no clássico com o Botafogo, em São JanuárioAndré Durão / Ge

Rio - A análise do técnico Renato Gaúcho sobre a adaptação de jogadores colombianos e equatorianos ao futebol brasileiro atravessou fronteiras e virou manchete nos principais jornais da América do Sul. A declaração ocorreu logo após o revés do Vasco por 2 a 1 para o Botafogo, no último sábado (4), quando o treinador foi questionado sobre o desempenho de Marino Hinestroza.
O jornal "El Tiempo", da Colômbia, reagiu de forma incisiva às declarações e estampou em sua manchete que Renato Gaúcho "destruiu" Hinestroza. O comandante destacou que, embora aprecie o talento dos vizinhos, identifica uma lacuna considerável em relação à compreensão do jogo praticado no Brasil.
"O jogador colombiano e equatoriano precisa de muito tempo para se adaptar (ao futebol brasileiro). Tem uma diferença muito grande, principalmente taticamente. E isso leva tempo", explicou o técnico.
Renato Gaúcho reforçou que em sua passagem pelo Grêmio costumava dar o aval para contratações apenas quando os nomes estrangeiros já estavam devidamente habituados ao cenário nacional. Apesar do tom crítico, a fala encontrou respaldo inesperado em parte da mídia colombiana. Carlos Antonio Velez, comentarista da "WinSportsTV", utilizou as redes sociais para concordar e validar o posicionamento.
"Do pescoço para baixo somos os melhores, com algumas correções, mas dali para cima a situação fica mais complicada. A verdade dói... Mas dói ainda mais não corrigir nossos erros e pensar que somos melhores do que realmente somos", disse o comentarista.
Atualmente, o elenco cruz-maltino conta com quatro colombianos: o titular absoluto Andrés Gómez e os reservas Carlos Cuesta, Johan Rojas e o próprio Marino Hinestroza. Renato reforçou que mantém uma rotina de orientações constantes com o quarteto, especialmente no setor ofensivo, buscando dar tranquilidade para que escolham a melhor jogada próxima à área adversária.
"Eu procuro sempre corrigir eles. E eles têm muitos erros. É o meu trabalho, mas é falta de tempo. Não é da noite para o dia que eu vou corrigir os caras 100%", pontuou o treinador.