Coutinho e Rodinei foram apresentados pelo SantosDivulgação/Santos

Philippe Coutinho falou pela primeira vez como jogador do Santos nesta segunda-feira (14). E o Vasco não poderia ficar fora, diante das muitas críticas dos torcedores por sair de surpresa em fevereiro para cuidar da saúde mental e, meses depois, acertar com outro clube brasileiro.

Coutinho responde à torcida do Vasco

O meia-atacante defendeu-se da acusação de que não tem identificação porque deixou o Cruz-Maltino diante das críticas que recebeu. E fez questão de citar o salário que abriu mão para ser liberado pelo Aston Villa e pelo Al-Duhail, do Catar, onde atuou emprestado antes de acertar com o Vasco, em julho de 2024.
"Fico triste, mas tenho espaço para falar. O Vasco, para mim, sempre foi a minha casa. Fui criado, joguei a base toda, subi para o profissional. Sempre deixei clara a gratidão ao clube. Tinha um ano de contrato no Catar onde ganharia 10 milhões de dólares limpos (cerca de R$ 51,6 milhões). É a única vez que vou falar sobre isso. E ainda tinha um ano de contrato com o Aston Villa", recordou.
"Sempre deixei claro que não queria que o Vasco gastasse nada para a minha volta. A única forma era abrir mão disso tudo. Meu salário de um ano e dos valores a receber do Aston Villa. Deixei tudo para ir para o Vasco, pelo carinho".

A decisão de jogar pelo Santos

Sem atuar desde fevereiro, Coutinho vinha mantendo a forma, e se preparava para voltar ao futebol somente em 2027. Os planos mudaram com o convite do amigo Neymar, mas o primeiro, entretanto, não foi aceito, como revelou o jogador recém-chegado ao Santos.
"Com certeza o Neymar teve papel importante na minha vida. Um jogador que dispensa comentários, um amigo que tenho desde criança. Foi a primeira pessoa no futebol que mandou mensagem quando saí do Vasco. Mandou no dia seguinte. Disse que seria um prazer jogar com ele, mas que naquele momento não dava, não estava bem. Não fazia sentido pra mim", contou.
Neymar, entretanto, não desistiu de levar Coutinho ao Santos e fez uma nova tentativa, que também não teve sucesso. Até que, recentemente, uma nova conversa entre os dois foi decisiva.
"Ele falou comigo depois de alguns meses, minha resposta foi a mesma. E o tempo se passou. Há duas semanas ele mandou outra mensagem, eu repensei", explicou.
"Tinha vontade de voltar a jogar. Por que não? Qual o problema? Estou indo para um grande clube, em outra cidade. Seria injusto eu não poder voltar a trabalhar. Estou feliz de aceitar esse desafio".

A saúde mental como prioridade

Mas até aceitar o convite de jogar no Santos, Coutinho antes precisou trabalhar o mtental. Afinal, a questão psicológica pesou na decisão de deixar o Vasco quando o jogador já não conseguia mais lidar com os ataques pesados sobre suas atuações, além de se cobrar bastante por não conseguir jogar em alto nível.
"Futebol sempre foi minha paixão. Por um tempo perdi isso. Qualquer um que trabalha precisa ter um propósito. Ter sentido. Quando estive fora me reconectei com coisas simples que me fizeram tomar a decisão de vir. O que me motiva é voltar a ser alegre", garantiu.