Monitoramento de áreas ás margens de rio, com possível presença de carrapatos, é uma das intervenções preventivas para controle do vetor Foto Decom/Reprodução
Avanço da doença do carrapato deixa regiões em alerta
Norte e Noroeste Fluminense continuam com atenções redobradas e desenvolvendo ações para evitar que a febre maculosa avance
Um estado de atenção epidemiológica é mantido nas regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro devido à concentração alarmante de infecções e óbitos provocados pela febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela. Itaperuna lidera as estatísticas, mas a Secretaria Municipal de Saúde intensifica as ações preventivas.
O município já registrou casos da popularmente conhecida doença do carrapato neste ano, inclusive com evolução para óbito, o que reforçou as ações de vigilância e prevenção. Segundo a secretaria, desde então, a Vigilância em Saúde permanece atenta às notificações e segue os protocolos de investigação dos casos suspeitos.
No entanto, não há registro de novos casos confirmados recentemente. As notificações suspeitas mais recentes foram investigadas e apresentaram resultado negativo, confirma a Saúde municipal, destacando que as atenções estão intensificadas.
Entre as medidas adotadas estão o monitoramento de áreas com possível presença de carrapatos, além de intervenções preventivas para controle do vetor, especialmente em locais de maior circulação de pessoas. As orientações à população sobre os cuidados em áreas de vegetação e locais com possível presença de carrapatos foram reforçadas.
Uma orientação considerada fundamental é procurar a unidade de saúde diante de sintomas após uma possível exposição. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) reforça a estratégia preventiva para evitar o contágio pelo carrapato nas duas regiões.
Óbitos sucessivos
A preocupação das autoridades de saúde ganha contornos ainda mais graves ao analisar o comportamento regional da bactéria transmissora. Além das fatalidades ocorridas em Itaperuna, o monitoramento oficial identificou óbitos recentes e sucessivos em Campos dos Goytacazes e São Fidélis, onde a infecção vitimou um médico-veterinário de apenas 30 anos.
O cenário se estendeu também para o município de Bom Jesus do Itabapoana, que confirmou a morte, há cerca de um mês, de um eletricista de 40 anos, cujo diagnóstico inicial chegou a ser perigosamente confundido com o de dengue, retardando o início da terapia correta. Cidades como Italva e Porciúncula também estão sob forte vigilância das equipes de saúde ambiental e epidemiológica.
Dados laboratoriais avaliados pela Fiocruz apontam que a taxa de letalidade da febre maculosa no estado alcança a preocupante marca de 28%, uma estatística considerada altíssima pelos especialistas. O avanço se choca diretamente com o período sazonal compreendido entre julho e novembro.
Intervalo crítico
O intervalo entre os dois meses é pontuado como crítico por representar a fase de maior vulnerabilidade para a transmissão bacteriana. Esse pico está estritamente associado ao ciclo biológico do carrapato-estrela, o principal vetor da enfermidade, que encontra abrigo em animais hospedeiros como cavalos, cães e capivaras que habitam as margens de rios e córregos fluminenses.
Diante do risco iminente, as redes de Vigilância Epidemiológica locais e estaduais intensificaram as campanhas de orientação pública, direcionando o foco principalmente para as populações rurais, trabalhadores agrícolas e visitantes de áreas naturais. Os principais sintomas são febre alta de início súbito, dores intensas no corpo e forte dor de cabeça.
A SES frisa que, no momento da consulta, é indispensável relatar ao profissional de saúde o histórico de contato com os ambientes de risco ou com carrapatos, uma vez que o diagnóstico precoce e o início ágil do tratamento com antibióticos específicos continuam sendo as únicas ferramentas capazes de barrar a evolução fatal da doença.

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