Macaé - Transparência, acesso à informação e participação social colocaram Macaé em um grupo restrito entre os municípios fluminenses. A cidade alcançou 80,79 pontos no Ranking de Transparência e Governança Pública 2026 e recebeu a classificação “Ótimo”, uma das cinco faixas de avaliação utilizadas pelo levantamento. O resultado coloca o município entre apenas seis das 13 cidades analisadas no Estado do Rio de Janeiro que chegaram ao nível máximo nesta edição.
O desempenho ganha ainda mais relevância porque Macaé aparece pelo terceiro ano consecutivo entre os municípios avaliados. A trajetória permite observar não apenas a nota atual, mas também a evolução dos mecanismos de transparência e governança adotados ao longo das edições anteriores.
Além de Macaé, também alcançaram a classificação “Ótimo” Rio de Janeiro, Armação de Búzios, Quatis, Rio das Ostras e Petrópolis. O grupo reúne municípios de diferentes perfis e tamanhos, mas que apresentaram, segundo os critérios do levantamento, melhores condições de acesso às informações públicas disponíveis em seus portais oficiais.
O ranking foi divulgado nesta terça-feira, dia 25, e elaborado pelo Instituto de Direito Coletivo, com apoio técnico e metodologia da Transparência Internacional Brasil. A avaliação não considera a percepção política sobre as administrações nem mede a qualidade dos serviços públicos prestados à população. O foco está nas informações públicas disponibilizadas pelos municípios e na existência de mecanismos que favoreçam transparência, governança e participação social.
Esse ponto é importante porque a classificação “Ótimo” não significa que o município recebeu uma avaliação geral de sua administração. O índice verifica como as informações públicas estão disponíveis, organizadas e acessíveis ao cidadão.
A metodologia utiliza 75 indicadores distribuídos em seis grandes dimensões: Legal; Plataformas; Administrativo e Governança; Obras Públicas; Transparência Financeira e Orçamentária; e Comunicação, Engajamento e Participação.
Na prática, a análise observa se o cidadão consegue encontrar informações relevantes sobre a administração pública, consultar dados financeiros e orçamentários, acompanhar obras, acessar instrumentos legais, utilizar plataformas oficiais e encontrar canais de comunicação, participação e controle social.
A evolução do conjunto das cidades avaliadas também chama atenção. A média dos 13 municípios analisados passou de 51,03 pontos em 2024 para 63,51 em 2025 e chegou a 73,21 em 2026. Em dois anos, a média avançou 22,18 pontos, crescimento acumulado de aproximadamente 43,5%.
A comparação entre as edições mostra uma mudança expressiva no cenário. Em 2024, somente dois municípios estavam na faixa “Bom”, enquanto oito receberam classificação “Regular” e três ficaram na categoria “Ruim”. Em 2025, nenhum município permaneceu na pior classificação e uma cidade já havia alcançado o nível “Ótimo”. Em 2026, seis municípios chegaram à faixa máxima.
O resultado de Macaé, portanto, aparece em um cenário de avanço geral dos municípios avaliados, mas também representa uma posição de destaque dentro desse processo. Com 80,79 pontos, a cidade superou a marca necessária para integrar a faixa “Ótimo” e passou a figurar entre os municípios que apresentaram os melhores resultados na avaliação deste ano.
Para o controlador-geral do município, Edilson Santana, o desempenho está relacionado ao trabalho de aprimoramento dos instrumentos de transparência e ao esforço para facilitar o acesso da população às informações públicas.
“A transparência faz parte da política de gestão do Governo Welberth Rezende. Trabalhamos para garantir que as informações públicas estejam cada vez mais acessíveis, organizadas e compreensíveis para a sociedade. A participação social também é uma prioridade, porque uma gestão transparente se fortalece quando o cidadão consegue acompanhar, fiscalizar e participar das decisões públicas”, afirmou.
Segundo Edilson, a avaliação também reforça a importância de manter mecanismos permanentes de controle e acompanhamento da administração pública.
A ouvidora-geral da Prefeitura, Denize Neto, acompanhada pelo ouvidor técnico Alex Xavier, destacou que a classificação não deve ser vista como um ponto final, mas como um incentivo para a continuidade do trabalho.
“Estamos satisfeitos com a evolução e por estarmos entre os seis municípios que alcançaram a classificação ‘Ótimo’. Esse resultado representa o reconhecimento de um trabalho que precisa ser contínuo. Vamos seguir com a meta de primar pelo aprimoramento, pela transparência e pela governança, fortalecendo os canais de participação”, declarou.
A presença da participação social entre os critérios avaliados também coloca a população no centro do processo. Mais do que publicar dados, a transparência pública depende da possibilidade de o cidadão localizar, compreender e utilizar as informações para acompanhar decisões, investimentos e ações do poder público.
O Índice de Transparência e Governança Pública trabalha com notas de zero a 100. Quanto maior a pontuação, melhores são os níveis de transparência identificados pela metodologia. A atualização periódica permite comparar resultados e acompanhar se os municípios estão ampliando ou reduzindo a disponibilidade de informações públicas.
A classificação de Macaé também ganha importância pelo fato de o município estar inserido em uma região marcada por grandes investimentos, arrecadação expressiva e forte atividade econômica. Nesse contexto, a disponibilização de informações sobre orçamento, obras, contratos, legislação, planejamento e participação social representa uma ferramenta para ampliar o acompanhamento da gestão pública.
O levantamento, contudo, deixa claro que transparência e qualidade dos serviços públicos são dimensões diferentes. Uma prefeitura pode apresentar bom desempenho na disponibilização de informações e, ainda assim, enfrentar desafios em áreas como saúde, educação, mobilidade ou infraestrutura. Por isso, o resultado deve ser interpretado dentro do escopo específico da metodologia.
O avanço registrado nas três edições analisadas demonstra, por outro lado, que os municípios avaliados ampliaram seus esforços para atender às exigências de transparência e governança. A passagem de apenas uma cidade na faixa “Ótimo” em 2025 para seis em 2026 mostra uma evolução relevante no conjunto analisado.
Em Macaé, a nota de 80,79 pontos consolida o município entre os destaques da edição deste ano. O próximo desafio, a partir desse resultado, será manter os mecanismos que contribuíram para a classificação e ampliar ainda mais o acesso da população às informações públicas.
No fim, a transparência cumpre seu papel quando deixa de ser apenas um conjunto de dados em uma página oficial e passa a funcionar como instrumento de cidadania. É por meio dela que o morador pode conhecer números, acompanhar decisões, fiscalizar recursos e participar de forma mais consciente da vida pública.