Projeto da Faculdade de Estudos Marítimos e Portuários foi apresentado em reunião realizada em MacaéFoto: Moisés Bruno H. Santos

Macaé - O mercado marítimo poderá ganhar uma nova porta de entrada para quem busca formação de nível superior em Macaé. A cidade avalia uma proposta para receber a Faculdade de Estudos Marítimos e Portuários, a Femapor, projeto apresentado nesta terça-feira (2) durante reunião na sede da Petrobras, em Imbetiba. A previsão dos idealizadores é iniciar as atividades no segundo semestre de 2027, mas a possível parceria com o município ainda dependerá de estudos técnicos e jurídicos.
A proposta mira um setor que já faz parte da identidade econômica de Macaé. A força da indústria de óleo e gás, a atividade offshore e a cadeia de apoio marítimo colocam o município no centro de uma economia que exige profissionais cada vez mais especializados.
O projeto foi apresentado pelo Instituto Mar e Portos, o Imapor. A instituição pretende criar um centro de ensino superior dedicado às áreas marítima, portuária, logística, comércio exterior e transporte marítimo. A ideia é formar profissionais para funções comerciais, operacionais e executivas ligadas ao setor.
A discussão, porém, ainda está no campo das possibilidades. Antes de qualquer definição sobre a participação do município, o governo municipal deverá realizar reuniões de viabilidade técnica com a Procuradoria Geral do Município e com as secretarias de Controle Interno, Licitações e Contratos, Planejamento, Fazenda e Qualificação Profissional.
A análise deverá verificar o que a legislação permite e quais formatos de cooperação poderiam ser adotados. Também será avaliada a possibilidade de ampliar o acesso da população macaense à formação profissional proposta pela instituição.
O vice-prefeito Fabiano Paschoal, que já ocupou o cargo de procurador geral do município, ficará responsável pelas tratativas jurídicas. A participação municipal, portanto, ainda não está definida.
A expectativa dos responsáveis pelo projeto é aproveitar a posição estratégica de Macaé para aproximar a formação acadêmica das necessidades reais do mercado. A proposta também considera a possibilidade de preparar profissionais que hoje precisam buscar capacitação especializada fora do país.
Segundo o Imapor, parte das vagas marítimas de maior nível no Brasil ainda é ocupada por profissionais estrangeiros, enquanto empresas nacionais recorrem a centros internacionais, inclusive em países como Noruega e Finlândia, para qualificar seus funcionários.
A criação da Femapor pretende mudar esse cenário ao concentrar, no Brasil, uma formação superior voltada especificamente para a cadeia marítima e portuária. A proposta é utilizar a experiência acumulada pelo mercado de óleo, gás e apoio marítimo de Macaé como referência para o desenvolvimento do modelo educacional.
O potencial da iniciativa também interessa à Petrobras. Durante o encontro, foi destacado que a expansão das atividades navais no país deverá exigir profissionais preparados tanto para atender o mercado quanto para fortalecer a Marinha Mercante.
Se avançar, o projeto poderá aproximar ainda mais educação e economia em uma cidade que tem no setor energético e na atividade offshore alguns de seus principais motores. Para isso, no entanto, o próximo passo será menos simbólico e mais técnico: entender como a proposta poderá sair do papel dentro das regras legais e quais benefícios concretos poderá oferecer à população.