Polo Municipal de Oncologia de Macaé acompanha pacientes com câncer e oferece atendimento multiprofissional durante o tratamentoFoto: Divulgação
“Na hora de deitar, eu senti um carocinho no peito. Era muito pequenininho, mas me chamou muito a atenção. Tive medo. Medo da morte, medo de deixar as minhas filhas, os meus pais, meu esposo. São sentimentos que passam na cabeça da gente como se fosse um ponto final”, recorda.
A história de Edileia ajuda a mostrar a importância de uma rede de saúde preparada para orientar pacientes desde os primeiros sinais até o tratamento. Em Macaé, esse caminho começa nas unidades de saúde e passa pelo Polo Municipal de Oncologia, referência no acolhimento de pessoas com câncer. Durante o Outubro Rosa, a estrutura reforça a importância da detecção precoce e do acompanhamento adequado.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) são as portas de entrada para consultas, exames e acompanhamento. Quando há suspeita de câncer, a paciente é encaminhada para investigação. Com a confirmação do diagnóstico, o Polo Municipal de Oncologia auxilia no acesso ao tratamento por meio do sistema estadual de regulação, responsável pelo encaminhamento para o serviço indicado em cada caso.
A unidade tem capacidade para atender até 10 mil pessoas e conta com 6.120 pacientes cadastrados. Desse total, 1.160 têm diagnóstico de câncer de mama.
Além da oncologia clínica, o Polo oferece atendimento em dermatologia, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Serviço Social e Farmácia. A estrutura também dispõe de serviços de marcação de consultas e exames.
“A gente acolhe o paciente da recepção até o último atendimento e acompanha em todo o tratamento, que pode durar cinco anos ou até dez anos. A gente sabe: quando o paciente chega aqui, ele fica bem, feliz, e sai daqui sorrindo. É muito bom frisar isso: que o paciente chega aqui perdido, a gente dá um norte para ele”, explica Anderson Rangel, coordenador do Polo.
Após o diagnóstico, Edileia passou por uma cirurgia para a retirada de parte da mama, oito sessões de quimioterapia e 35 sessões de radioterapia em outro município. Atualmente, mantém tratamento medicamentoso e acompanhamento regular.
Em Macaé, a quimioterapia é realizada na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) do Hospital São João Batista, entidade filantrópica parceira do município. O encaminhamento ocorre conforme a regulação e as necessidades de cada paciente.
Durante o tratamento, Edileia também encontrou apoio na convivência com outras pessoas atendidas pelo Polo. “Eu vejo como família porque, quando você está chegando, você está perdida. Você vem com uma cabeça e acha que é só você que está passando pelo câncer. E você descobre que tem outras pessoas se tratando, começa a se comunicar, a se envolver... Uma pessoa ajuda a outra até que você vira família”, relata.
Hoje, ela atua como voluntária na ONG Onco Renascer, onde ajuda pacientes que enfrentam a doença. A vivência mudou sua forma de olhar para quem recebe o diagnóstico.
“A minha torcida é pra que todo mundo passe pelo tratamento, que passe pelo câncer e que fique bem. Hoje, eu não consigo ver só por mim. Eu vejo por todo mundo que tá na luta”, afirma.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A doença representa cerca de 30% dos novos casos de câncer entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma.
Serviço:
Polo Municipal de Oncologia
Endereço: Rua Antero Perlingeiro, 76, Centro, Macaé.
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.



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