Poço Bento em MagéDivulgação/Diocese de Petrópolis

Magé - O Poço Bento de São José de Anchieta será elevado oficialmente a Santuário Diocesano de São José de Anchieta durante celebração presidida pelo Bispo Diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado. A solenidade acontecerá no próximo domingo, 23 de agosto, às 11h, durante a visita pastoral de Dom Joel à região, e deverá reunir sacerdotes do decanato, diáconos, autoridades, fiéis e comunidades de Magé e do entorno.
Durante a celebração, o pároco de Magé, Pe. Leonardo Tassinari Resende, será nomeado primeiro Reitor do Santuário, consolidando a importância religiosa de um lugar que, há séculos, mantém viva a memória da passagem de São José de Anchieta pelo território mageense.
A elevação representa um importante reconhecimento para um espaço que faz parte da história e da identidade do município de Magé. O Poço Bento reúne tradição popular, patrimônio cultural, arqueologia, religiosidade e memória, sendo, há gerações, destino de peregrinos e devotos de São José de Anchieta.
Sobre a história
Um dos registros dessa memória encontra-se no Livro do Tombo da Paróquia. De acordo com o documento, diante da resistência do povo em ouvir sua pregação, o missionário teria batido sua bengala no chão, fazendo surgir uma fonte de água, que posteriormente ficou conhecida como “Poço Bento” ou “Poço de Anchieta”.
Segundo a tradição oral preservada na comunidade, à época desse acontecimento, a região enfrentava um período de seca e era marcada por águas salobras. Nesse contexto, o surgimento de uma fonte de água doce teria adquirido significado ainda maior para a população local.
O registro paroquial e a tradição mantida pela comunidade testemunham a continuidade dessa memória ao longo das gerações. O local tornou-se espaço de oração, peregrinação e devoção, com relatos de fiéis que atribuem graças ao uso das águas do Poço Bento.
Registros históricos reforçam a importância do local
Em 17 de junho de 1940, o então proprietário das terras, identificado nos registros como Sr. Augusto, comunicou ao pároco, Pe. Pedro Luiz Arnaud, sua intenção de doar o Poço Bento à Matriz de Nossa Senhora da Piedade, por meio de escritura pública. Na mesma ocasião, manifestou também a intenção de ceder um terreno próximo para a construção de uma capela.
Outro marco ocorreu em 5 de abril de 1964, quando o altar e a cruz localizados ao lado do Poço Bento receberam bênção solene. A celebração foi presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi, com Missa concelebrada pelo Cardeal Dom Jaime Câmara, então Arcebispo do Rio de Janeiro, e por Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Bispo Diocesano.
A cerimônia contou ainda com a presença dos embaixadores da Espanha e de Portugal, autoridades civis e militares, numerosos sacerdotes e grande número de fiéis provenientes de diferentes localidades.
Já em 1981, Frei Francisco Battistini construiu a igreja dedicada a São José de Anchieta. Naquele período, Anchieta havia sido recentemente beatificado, embora já fosse amplamente venerado pelo povo como o “Apóstolo do Brasil”.
Patrimônio cultural, histórico e religioso
Além de sua importância para a fé e a devoção popular, o Poço Bento possui importantes reconhecimentos relacionados à preservação do patrimônio. Em 2025, o reconhecimento alcançou a esfera estadual. Por meio da Lei Estadual nº 10.768, de 8 de maio de 2025, o Poço Bento foi declarado Patrimônio Cultural, Histórico e Religioso do Estado do Rio de Janeiro.
Esses reconhecimentos reforçam a necessidade de preservação e valorização de um espaço que reúne patrimônio material, arqueologia, religiosidade, memória coletiva e uma tradição transmitida por sucessivas gerações.
O Poço Bento constitui ainda um importante marco da memória da presença jesuítica no território fluminense, mantendo viva a tradição relacionada à atuação missionária de São José de Anchieta e à sua ligação histórica com o território mageense.
Após a canonização de São José de Anchieta, em 2014, o local ganhou ainda maior relevância como destino de turismo religioso, somando à antiga tradição de peregrinação o crescente interesse de fiéis, peregrinos, pesquisadores e visitantes provenientes de diferentes municípios.
A importância de São José de Anchieta, porém, ultrapassa a dimensão religiosa. Missionário e educador, teve atuação marcante nos primórdios da educação no Brasil, participando da organização e do desenvolvimento dos primeiros colégios jesuítas e dedicando-se ao ensino, à catequese e à formação humana. Sua trajetória integra a própria história da educação brasileira e ajuda a compreender a presença da educação, da cultura e da evangelização na formação do país.
De lugar de devoção a Santuário Diocesano
A elevação a Santuário acontece em um período especialmente significativo para o Poço Bento. Em 6 de junho de 2026, o local recebeu o Cardeal Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, para uma Santa Missa por ocasião das comemorações dos 80 anos da Diocese de Petrópolis.
A celebração reuniu grande número de fiéis e contou com a presença do Bispo Diocesano, Dom Joel Portella Amado, além de sacerdotes e clérigos, reafirmando a importância do Poço Bento para a história religiosa de Magé e da Diocese de Petrópolis.
Em 12 de julho de 2026, durante a primeira edição da Caminhada e Cicloturismo Diocesano da Fé, concluída com Missa no Poço Bento, Dom Joel Portella Amado anunciou oficialmente a elevação do local a Santuário de São José de Anchieta, reconhecendo uma realidade de peregrinação já vivida pela comunidade católica de Magé e por toda a Diocese.
Agora, em 23 de agosto de 2026, essa trajetória ganhará um novo capítulo com a instalação oficial do Santuário Diocesano de São José de Anchieta.
Mais do que uma mudança de título, a elevação reconhece uma vocação construída ao longo de séculos como espaço de fé, peregrinação, evangelização, memória e preservação da tradição relacionada à presença jesuítica no território fluminense.
A criação do Santuário também fortalece o potencial de Magé para o turismo religioso, histórico e cultural, colocando em evidência um patrimônio que reúne importantes reconhecimentos municipal, estadual e federal e cuja história está diretamente relacionada a uma das figuras de maior relevância na formação religiosa e cultural do Brasil.
O Poço Bento chega, assim, a uma nova etapa de sua trajetória sem perder aquilo que o mantém vivo através das gerações: a fé do povo, a tradição em torno de São José de Anchieta e sua profunda ligação com a história de Magé.
SERVIÇO
Elevação a Santuário Diocesano de São José de Anchieta
Data: 23 de agosto de 2026
Horário: 11h
Local: Poço Bento de São José de Anchieta – Piedade, Magé/RJ
Celebração: Dom Joel Portella Amado, Bispo Diocesano de Petrópolis
Evento: aberto à comunidade