Aldeia Mata Verde Bonita, em suas atividades normais em São José de Imbassai, Marcicá - SECOM , Maricá
Aldeia Mata Verde Bonita, em suas atividades normais em São José de Imbassai, MarcicáSECOM , Maricá
Por O Dia

O combate ao coronavírus mudou os costumes nas aldeias Mata Verde Bonita (Tekoa Ka' Aguy Ovy Porã, em guarani), em São José do Imbassaí, e Sítio do Céu (Pevaé Porã Tekoa Ará Hovy Py), em Itaipuaçu. Agora, é cada família indígena na sua oca, em quarentena. As duas comunidades, localizadas em Maricá, não registram casos da doença nos cerca de 130 índios que vivem na região, mas sentem o impacto da pandemia, que afeta o convívio coletivo e a economia, devido à queda da receita com a suspensão das visitas turísticas e venda de produtos artesanais.

"Agora é cada um na sua oca. As crianças não brincam como antes e estão sempre perguntando o que está acontecendo. Tentamos explicar, mas temos medo. Peço a 'Nhanderú etê' (que significa 'Deus Verdadeiro', em guarani) que essa doença não chegue nas aldeias", diz Jurema Para Rete Yry Nunes de Oliveira, de 39 anos, cacique da aldeia Mata Verde Bonita, onde vivem 80 índios distribuídos em 26 famílias.

Apesar da característica de viver em isolamento, as aldeias tiveram suas dinâmicas sociais alteradas pela pandemia. Da realização de cerimônias à divisão das tarefas coletivas, como plantação e produção de artesanato, nada funciona como antes.

"Tudo mudou. Não estamos trabalhando mais juntos na construção das ocas ou no preparo da terra para o plantio. Todos costumavam a se reunir para tomar café numa oca grande. Hoje, todos têm feito as refeições em suas própria ocas. A gente vive do artesanato, mas está tudo parado. Não saímos da tribo ou recebemos mais visita de turistas", conta a cacique Jurema.

Em cada aldeia há um escola municipal, que tem distribuído cestas básicas de alimentos e kits de higiene para cada família indígena. A medida foi uma das alternativas assumidas pela prefeitura para fazer frente às dificuldades que as comunidades estão enfrentando com a interrupção do turismo na região.

Em outro campo de atuação, equipes exclusivas da Secretaria municipal de Saúde, compostas por médico, enfermeiro e técnico de enfermagem, estão visitando as aldeias, duas vezes por semana, para monitorar a saúde dos índios e promover, além de exames de rotina, palestras com orientações sobre os cuidados necessários para evitar a propagação da covid-19.

Nas aldeias, Jurema conta que nenhum índio usa máscara de proteção, apenas quando é necessário sair da aldeias, o que evitam ao máximo. O receio é que 'a doença do homem branco' provoque mortes nas comunidades.

"Já não gostamos mesmo de ir à cidade. Mas, agora, estamos com muito medo. Nosso local é dentro da aldeia, mas tudo ficou mais difícil. Vendíamos muito cocar, cestas, brincos, cordões. Parou tudo", diz Jurema.

 

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