Zona Norte ganhará seu primeiro Centro Cultural, na Alameda, em maio
Decreto de desapropriação do casarão no Fonseca que abrigará o espaço foi publicado nesta terça-feira
Imponente casarão há vinte anos está desocupado e sofre impasses no inventárioIrma Lasmar
Por Irma Lasmar
Niterói - O bairro do Fonseca vai abrigar o primeiro Centro Cultural da Zona Norte de Niterói. O passo inicial já foi dado, com decreto assinado pelo prefeito Rodrigo Neves para desapropriação da casa de número 263, na Alameda São Boaventura. O decreto foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial do Município e a previsão é de que a inauguração aconteça já em maio.
“Consideramos a cultura um dos pilares para o desenvolvimento econômico e social do município, e um novo espaço fora do eixo Centro-Sul reforça ainda mais nossos objetivos”, ressalta o secretário municipal das Culturas, Victor De Wolf.
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O primeiro centro cultural da Zona Norte funcionará em um espaço de dois mil metros quadrados. O projeto é oferecer no local eventos culturais de múltipla linguagem, abrangendo os diversos tipos de artes: exposições, danças, salas de oficinas e ensaios de grupos. Também está prevista a construção de um teatro no terreno existente nos fundos da casa, pensado como ambiente multifuncional e, para tanto, equipado com cadeiras móveis.
O imponente casarão pertencia a Álvaro Mendes de Oliveira (1901-1994) e Olívia Ascensão Estevinha de Oliveira (1898-1958). "Seu Oliveira", um abastado português conhecido no bairro por sua simplicidade apesar da riqueza, também construiu a maioria dos imóveis da rua lateral, chamada Nossa Senhora das Mercês, incluindo a fábrica da Bananada Regina que funcionava na esquina oposta. O casal teve três filhos, entre eles Maria de Lourdes Ascensão de Oliveira Motta (1933-?), que se casou com Oswaldo Motta (1920-2000), com quem teve três filhos. Oswaldo morreu em Portugal, onde vive uma parte da família, e nos últimos 20 anos a casa é objeto de uma batalha judicial travada entre os herdeiros. Durante esse tempo a propriedade esteve desocupada e disponível para aluguel, mas o alto valor solicitado - equivalente ao enorme imóvel - não atraiu locatários.
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Segundo De Wolf, em uma das etapas da Conferência de Cultura, que acontecerá em abril, com pré-conferências em março, será debatida a utilização do novo Centro Cultural, já que, de acordo com o secretário municipal, a participação popular será de fundamental importância na administração.