Rubens Oliveira: 'Rodoviários integram um serviço essencial e estão entregues à própria sorte'  - Divulgação / José Messias Xavier
Rubens Oliveira: 'Rodoviários integram um serviço essencial e estão entregues à própria sorte' Divulgação / José Messias Xavier
Por Irma Lasmar
Niterói - Pelo menos 201 linhas de ônibus municipais e intermunicipais de 19 empresas que circulam a partir de Niterói, São Gonçalo e Maricá estão operando com 10% a 15% de suas frotas. Outras 69 linhas de 12 dessas companhias que transportam passageiros para o Rio de Janeiro estão com as atividades totalmente suspensas. A informação é do Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), que nesta segunda-feira realizou assembleias ao longo do dia em companhias de Niterói e Maricá para tentar impedir demissões em massa no setor.

“A situação pode ser ainda mais grave, pois existem outras empresas, com circulação menor de linhas, que também estão passando por problemas sérios. Até agora nenhum governo atentou para a questão dos rodoviários, que integram um serviço essencial para a sociedade e estão entregues à própria sorte”, dispara o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

Os rodoviários da empresa niteroiense Garcia firmaram acordo para receber o pagamento integral de março e a empresa estuda fornecer duas cestas básicas; os da Pendotiba e da Nossa Senhora do Amparo (Maricá) farão escala com dez dias de trabalho, e as companhias também estudam o fornecimento de duas cestas básicas; e os da Santo Antônio e da Fortaleza adotarão escala de dez dias. Não houve assembleia na viação Miramar por falta de quórum, uma vez que a empresa está com as operações paralisadas.

Na última sexta-feira, os trabalhadores das seguintes companhias de São Gonçalo decidiram adotar o revezamento de dez dias: Viação Mauá, Icaraí, ABC, Alcântara, Rio Ita, Coesa e Fagundes. Na Brasília, os rodoviários acataram receber uma diária de R$ 70 por causa da grave crise financeira que a empresa atravessa. O revezamento por escala garante o pagamento dos dias trabalhados para os profissionais.

Na terça-feira dia 24 será a vez das assembleias dos rodoviários das empresas Ingá, Araçatuba, Rio Ouro, 1001, Galo Branco e Estrela.

A redução das operações nas frotas e o programa de escala entre rodoviários foram adotados a partir da queda na arrecadação das empresas diante das medidas de isolamento determinadas pelas autoridades públicas para o controle da disseminação do coronavírus (Covid-19).

“Está na hora de os governos pensarem em uma compensação financeira para os trabalhadores, aos moldes do que os Estados Unidos e alguns países europeus estão adotando ou em vias de adotar. Uma complementação salarial já ajudaria para evitarmos uma grave crise social. Não adianta apenas socorrer bancos, o dinheiro precisa circular, o poder de compra precisa ser mantido para a economia não entrar em colapso”, alerta o líder sindical.