O quarto prefeito, João Pereira Ferraz, idealizou em 1909 o palácio, para ser sede do Executivo - Arquivo
O quarto prefeito, João Pereira Ferraz, idealizou em 1909 o palácio, para ser sede do ExecutivoArquivo
Por Irma Lasmar
NITERÓI - Construído em 1910 especialmente para receber a Prefeitura de Niterói quando fundada, em 1904, o pomposo Palácio Arariboia leva o nome do primeiro proprietário oficial destas terras: o índio carioca que, no século XVI, liderou a tribo Temiminó na defesa do litoral leste fluminense contra os invasores franceses e que ganhou dos colonizadores portugueses como recompensa o território hoje equivalente a esta cidade. Com o retorno de Niterói à condição de capital do estado do Rio de Janeiro em 1903, a cidade passou por intervenções urbanísticas necessárias para melhor qualificá-la à categoria readquirida. O quarto prefeito local, João Pereira Ferraz, idealizou em 1909 o referido palácio, erguido na Rua da Conceição, uma das mais importantes vias do Centro à época, em uma área conhecida na época como Largo do Capim.
O imóvel abrigaria também a Câmara de Vereadores, o órgão público local mais antigo, datado de 1819, que desde então mudava frequentemente de endereço por motivos diversos. Na ocasião, o Legislativo niteroiense dividia com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) um imóvel no Jardim São João – demolido em 1913 para ser reerguido no ano seguinte, enquanto a Alerj ganharia sede própria na Praça da República em 1917. Esta última, após a transferência da capital estadual para a cidade do Rio de Janeiro, passou a abrigar a Câmara Municipal.
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A sede administrativa municipal só foi batizada de Palácio Arariboia em 1973, por ocasião das celebrações dos quatrocentos anos da fundação de Niterói. Na década de 1980, a Prefeitura e a maioria de suas secretarias foram transferidas para um edifício moderno na Rua Visconde de Sepetiba, que ficou conhecido como “Prefeitura Nova”, motivando o apelido de “Prefeitura Velha” ao antigo edifício, que desde então abriga a Secretaria de Fazenda do município e setores a ela correlacionados.
Uma platibanda sóbria com ornatos vazados e um pequeno frontão triangular coroam a fachada do edifício. A pequena cúpula central com um relógio foi substituída por um zimbório na reforma de 1926. O jardim do entorno ostenta árvores e quatro bustos em bronze: José Clemente Pereira (1787-1854), o primeiro presidente da Câmara; Gonçalves Ledo (1781-1847), importante jornalista e deputado; Fagundes Varela (1841-1875), famoso poeta romantista; e Alberto de Oliveira (1857-1937), farmacêutico e poeta parnasiano. Os dois últimos, falecidos em Niterói, são patronos da Academia Brasileira de Letras.
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Tombado desde 1995 pelo Departamento do Patrimônio Cultural (Depac) da Prefeitura, o pujante Palácio Arariboia é mais um monumento histórico a ostentar o magnífico passado da valorosa sociedade niteroiense.