Dengue, zika e chikungunya reduzem 75% em Niterói com uso de bactéria 'Wolbito'

Tecnologia usada em 33 bairros da cidade inibe a transmissão de doenças que atingem o ser humano

Por O Dia

NITERÓI - A Prefeitura informa que, mesmo em meio à pandemia de coronavírus, registrou uma redução este ano de 75% dos casos de chikungunya na cidade. Além das ações sanitárias com equipes de combate ao mosquito, o governo também participou de uma experiência inédita do World Mosquito Program, conduzido no Brasil pela Fiocruz, que possivelmente fez diferença nessa conquista. Para isso, foram liberados em várias regiões da cidade mosquitos com Wolbachia, chamados de “Wolbito”, que combatem a dengue, zika e chikungunya através de método que utiliza bactéria para reduzir a capacidade do Aedes Aegypti de transmitir o vírus das doenças, reduzindo sua infestação.
Em 2018, Niterói teve 2.887 casos de chikunguya, 301 casos em 2019 e 63 registrados até agosto deste ano. Os números da dengue também recuaram nos últimos anos, de acordo com a Prefeitura: 1.652 casos em 2018, 356 em 2019 e 83 este ano até agosto. Quando se fala em zika, o número de casos em 2018 foi de 344, 88 casos em 2019 e este ano, até agosto, foram registrados 9 casos. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde. Os insetos infectados com a bactéria Wolbachia já foram liberados em 33 bairros de Niterói. A tecnologia inibe a transmissão de doenças que atingem o ser humano.

"O método utilizado é natural, seguro e sem qualquer risco para as pessoas, os animais e o meio ambiente. A bactéria bloqueia o vírus dentro do mosquito, não permitindo que ele contamine os humanos através da picada. O projeto também é autossustentável, já que os descendentes do Aedes já nascem com a Wolbachia", explica o secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira. "A Prefeitura de Niterói acreditou nesse programa e, em 2014 e 2015, foi implantado um projeto piloto, liderado pela Fiocruz, em Jurujuba e os resultados foram muito positivos. Fomos gradativamente expandindo para toda a cidade. Nossos agentes comunitários de saúde atuam na liberação dos mosquitos com a Wolbachia e no monitoramento da população".
A Wolbachia é uma bactéria intracelular que, quando presente nos mosquitos, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro destes insetos. Não há qualquer modificação genética, nem da bactéria, nem do mosquito. A Wolbachia está naturalmente presente na maioria dos insetos, mas não é encontrada nos mosquitos Aedes Aegypti. As primeiras liberações dos mosquitos contendo Aedes Aegypti com Wolbachia no Brasil ocorreram em 2015 nos bairros de Jurujuba, em Niterói, e Tubiacanga, na Ilha do Governador. Em 2016 a ação foi ampliada em larga escala em Niterói e em 2017 no município do Rio de Janeiro. Além do Brasil, também desenvolvem ações do programa países como: Austrália, Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, e as ilhas do oceano pacífico Fiji, Kiribati e Vanuatu.
Durante o período de seca, a população pode realizar ações de prevenção, basta tirar 10 minutos do dia para verificar se existe algum tipo de depósito de água no quintal ou dentro de casa, por exemplo. Uma vez por semana, lavar com água, sabão e esfregar com escova os pequenos depósitos móveis, como vasilha de água do animal de estimação e vasos de plantas. Além disso, é preciso descartar o lixo em local adequado, não acumular no quintal ou jogar em praças e terrenos baldios. Limpar as calhas, retirando as folhas que se acumularam no inverno também é importante para evitar pequenas poças de água.
Niterói é pioneira no uso da nova técnica de prevenção que já abrange 90% do seu território. Estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) concluiu a avaliação do uso da Wolbachia em Niterói. Análise do Grupo de Avaliação Externa de Novas Tecnologias da OPAS, realizada em março deste ano, apontou redução de 75% nos casos de chikungunya devido ao uso de mosquitos com Wolbachia na cidade. O número permaneceu o mesmo em novo monitoramento feito em junho, reforçando o resultado. Os dados são preliminares e relacionados apenas à chikungunya porque, neste ano, houve baixo registro de circulação dos vírus da dengue e zika no município.

A manutenção dos mosquitos com a bactéria foi outro ponto importante analisado pelo grupo de avaliação externa da OPAS, que identificou diferença nos níveis de estabelecimento da Wolbachia na cidade, exigindo liberações adicionais de mosquitos. A infraestrutura municipal de saúde associada à Estratégia de Saúde da Família (ESF) conta com agentes de controle de zoonoses e os agentes comunitários de saúde que trabalharam juntos para o sucesso do projeto.
Em Niterói, houve participação ativa e envolvimento da gerência entre os diferentes níveis de governo com WMP/Fiocruz, incluindo a contribuição financeira do nível nacional, pelo Ministério da Saúde do Brasil, tanto no projeto Wolbachia, quanto na disponibilização de todos os recursos e infraestrutura para uma avaliação externa, além dos recursos humanos do município. Também faz parte do projeto a realização de ações prévias de engajamento e comunicação junto às comunidades locais e profissionais de saúde sobre a segurança do método e seu impacto no ecossistema.

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