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Entrevista: Axel Grael e os planos para o mandato a partir de janeiro

Prefeito eleito espera que a cidade siga com a união das forças democráticas

Ambientalista de 62 anos falou sobre o desejo de trabalhar com políticas públicas direcionadas à parcela mais humilde da população   - Imagem Assessoria
Ambientalista de 62 anos falou sobre o desejo de trabalhar com políticas públicas direcionadas à parcela mais humilde da população Imagem Assessoria
Por Luciana Guimarães
Niterói - Consolidado o processo eleitoral e definidos os resultados da eleição, Axel Grael (PDT) agora se prepara para assumir no próximo ano o mais alto posto do legislativo niteroiense. Desde o último domingo, ele não parou. Se dividiu entre as congratulações (é reconhecido por sua gentileza e solicitude) e encontros ainda necessários para a estruturação de seu mandato e, conversou com O DIA sobre o futuro.
A bancada do governo da Câmara terá mais de 70% dos votos. Na última legislatura, o PDT tinha apenas um vereador, e agora fez quatro, a maior representação partidária.
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Eleito com 62,58% dos votos, reiterou que pretende buscar excelência no setor da saúde e educação, vistos como fundamentais, mas também que todo recurso captável será direcionado à reestruturação da economia, tão afetada pela Covid-19.
1) Vamos voltar um pouco no tempo. 8 anos atrás, quando entrou na vida pública, o senhor imaginava chegar ao cargo de chefe maior de Niterói? Como foi esse desdobramento de lá pra cá?

Ter sido escolhido pela população para receber o bastão do prefeito Rodrigo Neves faz passar um filme pela cabeça com tudo o que já fizemos por Niterói. Quando olho para trás, parece que assumimos ontem, mas quando vejo tudo o que foi realizado, parece que ficamos décadas na Prefeitura. Eu tenho em meu currículo uma série de cargos públicos e privados, fui presidente do Instituto Estadual de Florestas, da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente e Subsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Sempre me dediquei muito, mas nunca tive a oportunidade de realizar tanto como nestes últimos 8 anos.


Ser prefeito é uma grande responsabilidade que lá atrás, quando iniciei a vida pública, não projetava assumir. Mas por ter estado ao lado do prefeito Rodrigo ao longo dos últimos anos, trabalhando nos principais projetos de transformação de Niterói, percebi que estaria preparado para ser a pessoa a dar continuidade ao nosso projeto de cidade.


2) A quê, ou a quem creditaria, essa vitória? 

Essa vitória é do povo de Niterói, que reconheceu nas urnas o projeto de cidade que o prefeito Rodrigo Neves desenvolveu nos últimos oito anos. Foram mais de 62% dos votos, reafirmando a tradição de 35 anos consecutivos de trabalhismo no município. Também acho fundamental destacar a expressiva votação dos candidatos a vereador dos partidos que compuseram a nossa aliança. O meu partido, o PDT, elegeu quatro, a maior bancada da Câmara de Vereadores. Niterói quer que a cidade siga neste caminho, com união das forças democráticas, olhando para todas as parcelas da sociedade.


O Rodrigo fez uma gestão que tem aprovação de mais de 80% dos niteroienses. Aprendi muito nesses oito anos em que estive ao lado dele, construindo políticas públicas no município. É claro que o resultado que tivemos ontem vem muito em função do reconhecimento que a população teve à esse governo.


3) O senhor considera a cidade que está herdando diferente daquela de 2012? Em que sentido? Quais, o senhor acredita, serão os seus mais contundentes desafios?

Sem dúvidas! Em 2013, quando o prefeito Rodrigo Neves e eu, à época vice-prefeito, assumimos o governo, Niterói tinha R$ 300 milhões em dívidas e o Getulinho estava fechado. A obra do mergulhão paralisada, em plena Avenida Marquês do Paraná, era o retrato do abandono da cidade. Ainda sob o impacto da tragédia do Bumba, os niteroienses estavam sem autoestima. Nos últimos 8 anos, Niterói passou por um intenso processo de transformação urbana e social. A cidade saiu de um cenário de grave crise para uma posição de destaque, com reconhecimento e prêmios em diferentes setores da administração, apesar do contexto nacional de crise política e econômica, sobretudo no Estado do Rio. Vou herdar um município com autoestima resgatada, contas públicas planejadas, saúde fiscal e plano estratégico definido. Nosso desafio e principal compromisso será seguir avançando, no mesmo modelo de gestão, com intenso ritmo de entregas à população, obras andando e a qualidade dos serviços prestados mantidos.


4) Durante a campanha, teve algum momento que considerou mais difícil, como por exemplo, os ataques adversários?

Nós fizemos uma campanha propositiva, mostrando os avanços da cidade nos últimos anos, como o Túnel Charitas-Cafubá, os melhores índices de segurança dos últimos 20 anos e a construção de 25 escolas. Tivemos muita tranquilidade para mostrar que a cidade precisava seguir avançando, no mesmo modelo de gestão que vem dando certo. Foram 45 dias intensos, é claro. Mas a população sempre nos recebeu muito bem em todos os lugares em que estivemos, tivemos uma acolhida muito especial. Os ataques adversários não encontraram espaço, como mostrou a nossa vitória retumbante nas urnas.


5) Umas das grandes dificuldades enfrentadas pelos novos governantes será a continuação do combate à pandemia. O senhor assumirá em pleno verão, o que possivelmente trará novos problemas para conter a doença. Existe uma estratégia já estabelecida pensando-se nisso?

A chegada da pandemia pegou todas as cidades do mundo de surpresa. Mas a Prefeitura de Niterói enfrentou com seriedade o desafio do novo coronavírus, amparando suas decisões por um conselho científico, independente. Agimos com agilidade e eficiência, minimizando os impactos sanitários, econômicos e sociais da Covid-19. Aprendemos muito nos últimos meses. Garanto aos cidadãos que vamos continuar seguindo a ciência, priorizando a saúde e a economia.


6) O seu plano de governo, divulgado durante a campanha, foi moldado em 12 compromissos principais. Muitos deles, para serem honrados, precisam de uma verba generosa da prefeitura. Um exemplo é manter a “Renda Básica” até a chegada da vacina, sendo que enquanto alguns são mais otimistas e falam em 6 meses, outros conjecturam até 2 anos. Como isso seria plausível?

Fui Secretário de Planejamento e Gestão da Prefeitura de Niterói e coordenei o Programa Renda Básica. É uma iniciativa fundamental para proteger as famílias de Niterói que mais precisam deste apoio para que possam superar este momento, tanto de pandemia, como de desemprego. Nos últimos anos, trabalhamos muito para organizar as contas públicas da cidade, com controle de gastos e administração austera. Vamos assumir uma Prefeitura com saúde fiscal, o que nos dá condição de planejar programas de assistência à população.


7) O senhor diz que uma prioridade é ampliar o “Programa Niterói Presente” por toda cidade. Como imagina executar isso? Haveria também um aumento do número de guardas municipais através de concurso? Há algum programado?

A Segurança Pública é uma atribuição do Governo do Estado, e isso sempre foi argumento usado por outras gestões para que a prefeitura não entrasse no tema da segurança, o que foi um erro. Na gestão do prefeito Rodrigo Neves enfrentamos o problema. Com investimentos massivos no combate à violência, a cidade passou a registrar os os melhores índices de segurança dos últimos 20 anos. Os resultados positivos mostram que estamos no caminho certo. Vamos continuar investindo na área.


Através de concurso público, a Guarda dobrou seu efetivo: foi de 300 homens e mulheres para 700. Nossa meta é chegar aos mil agentes, número que a legislação permite para uma cidade do porte de Niterói. Através de convênio da Prefeitura com o Governo do Estado, onde o Município paga gratificação a policiais militares que trabalham em Niterói nos dias de folga, vamos ampliar o Niterói Presente, levando o programa para todas as regiões da cidade.


8) A questão da mobilidade sempre foi espinhosa para a cidade. O aumento das ciclovias foi vertiginoso no último governo, e recentemente o prefeito Rodrigo Neves lançou o Plano Municipal de Mobilidade Sustentável, que inclui uma série de intervenções urbanas e viárias, algumas já em andamento e outras previstas para os próximos 10 anos. Ainda assim, esse foi apontado como o principal transtorno vivido pelos niteroienses. Como gerir os engarrafamentos caóticos?


A circulação de veículos é um desafio em Niterói. Temos uma frota veicular grande para o tamanho da cidade. Mas nos últimos anos, encaramos esse desafio de frente, com um pacote de melhorias na mobilidade urbana que inclui o Túnel Charitas-Cafubá, o alargamento da Marquês do Paraná, dois mergulhões, 26 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus, duplicação de vias como a Benjamin Constant e a Avenida do Contorno, 40 quilômetros de ciclovias e a integração de ônibus, barcas e bicicletas.


Nesse novo ciclo, as intervenções em mobilidade continuarão tendo protagonismo. O Plano Municipal de Mobilidade Sustentável vai nortear nossa ações nos próximos anos. Um dos compromissos que assumi é a revitalização da Alameda São Boaventura, que inclui a construção de um terminal rodoviário no Caramujo, que estará ligado através de um sistema de ônibus até o Centro. Vamos continuar ampliando a malha cicloviária, com conexões estratégias na Região Oceânica (mais 60 km, que estão em fase de implementação e vou concluir), Zona Norte (21 km, incluindo a Alameda São Boaventura) e orla do Centro.



9) Tem sido bem triste andar pelas ruas e ver tantos estabelecimentos fechados. Empresas falidas, o desemprego em alta e uma população que precisa de incentivos imediatos. Quais são as perspectivas de recuperação econômica?

Durante toda a campanha, vim pontuando que as iniciativas dos últimos anos para manter os cofres públicos, a transparência e racionalização de gastos, além das obras estruturantes em diferentes setores, dão a Niterói condições de sair na frente no cenário de recuperação pós-pandemia. Mas não somos uma ilha e inevitavelmente sentiremos os reflexos da crise mundial provocada pela pandemia do novo coronavírus.


Retomar a economia após a crise econômica mundial causada pelo coronavírus já é uma das prioridades do prefeito Rodrigo Neves e também será a minha. Além de fazer toda a diferença para quem precisa botar comida na mesa e comprar medicamentos, o Renda Básica, que será estendido, vai fazer a economia girar, uma vez que os beneficiados usam o auxílio para comprar no comércio da cidade. Os programas de incentivo às empresas também serão mantidos até quando for necessário para estimular a economia da cidade.


O Novo Morar Melhor Niterói, um programa de melhorias habitacionais e sanitárias em comunidades, além de gerar emprego e renda para Niterói, com contratação de mão de obra local, vai promover mais qualidade de vida aos moradores e incentivar o setor da construção civil. A retomada da economia terá, ainda, a dragagem do canal de São Lourenço e a implantação do polo logístico e portuário, além do ecossistema de inovação, com apoio às startups e parceria com universidades, e a revitalização do Mercado Municipal.


10) Escolas fechadas, crianças em casa, pais frustrados e um sistema de ensino em que a nota no IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) está em 3,8, menor que a capital (4,7). Como equalizar essa situação?


Como comentei há pouco, a chegada da pandemia pegou todos de surpresa. Em Niterói, foi estruturada uma série de medidas pedagógicas para manter a conexão dos alunos com a escola, com repasse de conteúdo on line e distribuídas cartilhas para os alunos que não tinham acesso à rede de dados.


Em 2019, Niterói alcançou o maior IDEB desde 2005, quando teve início a série histórica. Observe que os resultados estão em curva ascendente desde 2013. A melhora nos resultados foi de quase 40%. Nós revertemos uma curva de resultados negativos que vinha de longo tempo, mas essa mudança não se faz rapidamente. Na nossa gestão, vamos continuar investindo na infraestrutura das unidades de educação e buscando a universalização do acesso à escola. Também vamos ampliar o investimento na qualidade da educação digital, na modernização, no acesso à tecnologia. Essa geração de jovens precisa ter contato com as tendências que ficaram claras no período da Covid. Uma das prioridades da minha gestão será um programa que vai levar conectividade para as comunidades. Precisamos levar o acesso à internet ao jovem que está nas comunidades.


11) Outra reclamação vigente, também por envolver altos gastos, é o número de secretarias do antigo governo, um dos maiores do Brasil. Já planejou a quantidade de secretarias, se vai mudar?


Acho importante pontuar que a gestão municipal precisa ter o foco em atender a sociedade, seus temas e regiões. As Administrações Regionais, por exemplo, cumprem papel administrativo, fazem comunicação com a comunidade, são instrumentos importantes para a política pública. Nós não temos um problema com a estrutura em si, o que importa é o serviço prestado ao cidadão de Niterói. Nossa vitória incontestável nas urnas e as pesquisas que apontam 80% da aprovação à gestão do Rodrigo mostram o reconhecimento dos moradores ao que estamos estamos entregando. Essa é a nossa preocupação.


12) Um recado para a população?

Quero agradecer ao povo de Niterói, que me escolheu para conduzir a cidade à mais um ciclo de desenvolvimento, com inovação, sustentabilidade e justiça social. Os niteroienses mostraram que aqui não há espaço para retrocesso. Nossa cidade tem vocação para o avanço.


Também quero deixar meu agradecimento à minha família, ao prefeito Rodrigo Neves, ao PDT, aos colegas da Prefeitura e todas as demais pessoas que acompanham minha trajetória no movimento ambientalista e social, em particular no Projeto Grael.


Como pontuei bastante ao longo da campanha, no meu governo a saúde dos niteroienses e a retomada da economia serão prioridade, junto à qualidade dos serviços. Teremos um olhar especial para o estímulo à geração de emprego e renda. Vamos manter o ritmo de contratações de obras da Prefeitura. Com o Região Norte Sustentável, a Zona Norte receberá um novo ciclo de investimentos com a revitalização da Alameda São Boaventura e a implantação do Terminal de Integração do Caramujo. Na Região Oceânica, vamos fazer a pavimentação e drenagem de todas as ruas, dando continuidade ao trabalho que já foi iniciado pelo prefeito Rodrigo Neves.


Estou muito animado para ser prefeito dessa cidade. Viva Niterói!
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