O estudo referencia nosso olhar estratégico para princípios de transparência e excelência acadêmica
O estudo referencia nosso olhar estratégico para princípios de transparência e excelência acadêmicaImagem Internet
Por Luciana Guimarães
Niterói - O professor aposentado João Ruas, de 66 anos, lembra saudoso da época em que ingressou na UFF e dos dias históricos, tanto no quesito pessoal quanto global, vividos na universidade: "Entrei para o curso de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense - UFF, no segundo semestre de 1974. O Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (ICHF) ainda funcionava na rua Lara Vilela, no bairro do Ingá. Eu acabara de completar 20 anos de idade. Era um jovem tímido, mas cheio de entusiasmo. Graças aos grandes professores que tive, mergulhei fundo nos estudos universitários. O curso era integrado por três grandes áreas: Sociologia, Antropologia e Ciência Política.  Era uma época dura, de ditadura militar, quando ainda vigorava o AI-5 e o Decreto-Lei 477 (que punia professores, alunos e funcionários das universidades federais que fossem considerados subversivos pelo regime). O movimento estudantil, do qual sempre participei, era muito ativo. O fato mais importante que aconteceu naquele período foi a greve geral do curso, em protesto contra a presença de informantes militares infiltrados na direção do Instituto. A greve foi tão efetiva que não houve formandos no ano de 1976. A Polícia Militar acabou invadindo o ICHF e esvaziando os cursos por mais de um mês. Fizemos história. Mas nem tudo se resumia à luta política. Havia também a vida boêmia nos bares de então, de início no Ingá e depois no Bar Natal, no Centro, quando o curso foi transferido para o Valonguinho, em 1978, se não engano. Foi uma época rica em experiências.", relata ele.
A história de João, da UFF (Universidade Federal Fluminense) e de Niterói se misturam num emaranhado de orgulho, conquistas e inatacabilidade. A 'Cidade Sorriso'  tem a honra de sediar esta que é referência nacional em diversas áreas do conhecimento e possui uma trajetória de crescimento, realizações e reconhecimento público
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A Universidade Federal Fluminense foi eleita a 5ª melhor universidade federal do Brasil e a 13ª melhor universidade da América Latina no Ranking Web of Universities. Com o novo resultado, a UFF subiu três posições na lista nacional em referência a 2020. O levantamento é uma iniciativa do Cybermetrics Lab, grupo de pesquisa pertencente ao Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha. O ranking analisa critérios de impacto digital relacionados à visibilidade, transparência e excelência acadêmica.

De acordo com o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, o ótimo resultado é um reconhecimento da excelência da comunidade acadêmica combinada à forma de gestão exercida. “Esse é um ranking que avalia particularmente o impacto digital das universidades. Tivemos um avanço de três posições em relação ao último levantamento. Recebemos o ótimo resultado com muita satisfação e senso de reconhecimento. O estudo referencia nosso olhar estratégico para princípios de transparência e excelência acadêmica. É muito importante que nossa instituição esteja bem avaliada numa sociedade fortemente digital”, comemorou Antonio Claudio.

O coordenador de Planejamento e Desenvolvimento da UFF, José Walkimar, explica que a Universidade vem adotando uma política proativa de identificação e acompanhamento dos principais indicadores que são empregados para a qualificação de universidades. “Hoje há um conhecimento preciso dos pontos fortes e dos pontos fracos da universidade no que diz respeito aos indicadores mais comumente empregados. A Coordenação de Planejamento e Desenvolvimento da PROPLAN tem como uma de suas metas a organização dos dados institucionais associados a estes indicadores, com acompanhamento permanente de sua evolução. Estes indicadores institucionais são usados para alimentar as bases de dados das organizações responsáveis pelos rankings, tentando não apenas melhorar a posição da universidade nos diferentes rankings, mas também cuidar para que os dados usados nos rankings reproduzam dados reais da universidade”, detalha Walkimar.

Segundo a Superintendente de Relações Internacionais (SRI), Livia Reis, o Ranking web of Universities é uma iniciativa da Cybermetrics Lab, grupo dedicado à pesquisa de métricas acadêmicas , vinculado ao CSIC, Consejo Superior de Investigaciones Cientificas, o maior sistema público de pesquisa e ranqueamento acadêmico na Espanha, vinculado ao Ministério da Educação da Espanha. “A comunidade da UFF recebeu com alegria o resultado deste ano, no qual nossa universidade ocupa o 13o lugar na América Latina e o 575 mundial, números que refletem o resultado do trabalho de uma equipe comprometida com a eficiência da gestão, excelência acadêmica, inclusão e internacionalização”, afirmou.

O Ranking Web considera três grandes indicadores:

1. Visibilidade – Mede o impacto do conteúdo da rede Web da instituição. O indicador usado para mensurar este índice é o número de redes externas que se vinculam às páginas da instituição. A base de dados considerada para quantificar este indicador são as plataformas para exploração de tráfego em rede Ahrefs e Majestic. Este é o indicador de maior peso no ranking, contribuindo com 50% da nota final. Neste último ranking divulgado no início de 2021, a UFF ocupou a 10ª posição nacional.



2. Transparência – Este indicador mede o índice de citações dos principais pesquisadores da instituição. Ele é baseado no número de citações dos 210 pesquisadores mais citados da instituição, com base no Google Scholar Profile. A UFF teve mais de 354.000 citações no total, que a colocou em 9ª. posição no ranking nacional. Este indicador tem um peso de 10% na nota final da instituição.



3. Excelência – Este é um indicador medido pelos artigos mais citados da instituição. É baseado no número de artigos entre os 10% dos artigos mais citados em cada uma das 27 áreas que o ranking trata, considerando os artigos publicados de 2015 a 2019, conforme registrado na base Scimago. Neste indicador, com peso de 40% na nota final, a UFF ocupou a 15ª. posição nacional.
Sobre a UFF:
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A UFERJ, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, em 05 de novembro de 1965 passou a ser denominada Universidade Federal Fluminense - UFF, mudança realizada a partir da aprovação lei Federal 4.831. Isto é reflexo de que a Universidade ainda não estava profundamente identificada com o Estado do Rio de Janeiro, identificação que ganhou impulso a partir dos anos seguintes.

Mas a mudança de nome também se insere no conjunto da política educacional federal implementada desde 1964; esta visou atender aos critérios de eficiência administrativa e de custos, além de transformar as universidades brasileiras em formadoras de técnicos profissionalizados, deixando-as assim afastadas do perfil de fomentadoras e formadoras de reflexões críticas. O país vivia os primeiros anos do golpe militar de 1964 e neste contexto, vale destacar que a participação do movimento estudantil perdeu forças, motivados pela lei Suplicy de Saraiva e pela incessante repressão militar.

Após alguns anos de turbulência, a recém-renomeada UFF viveu anos de intensa modernização. Tais iniciativas foram lideradas pelo Professor Manoel Barreto Netto, Reitor de 1966 a 1970. Durante o referido período, os objetivos foram dotar a Universidade de melhor infraestrutura física, ampliar seus cursos e reestruturá-la administrativamente, em consonância com o processo de Reforma Universitária em curso. Dentro do conjunto de modificações e modernização se incluiu a organização de departamentos de ensino e as primeiras discussões e medidas para a criação dos centros de ensino que tiveram as medidas preconizadas em 19674 e implementadas logo a seguir.

Já entre as conquistas realizadas no ano de 1968 é preciso destacar a criação da Escola de Engenharia Metalúrgica da UFF na cidade de Volta Redonda, conforme o parecer 90/69 de 8 de fevereiro de 1968, assim como a instalação da Reitoria na Rua Miguel de Frias, n° 9, onde outrora funcionou o Casino Icarahy. Neste mesmo ano, o Cine Arte UFF iniciou as atividades.

Em 1969 a UFF teve aprovado pelo Conselho Federal de Educação o seu novo estatuto e já contava com um quantitativo de onze mil estudantes. A Reforma Universitária, inspirada no modelo educacional norte-americano, extinguiu as antigas cátedras e proporcionou a integração de áreas que desenvolviam ensino e pesquisa em comum. Também extinguiu as antigas faculdades de Ciências e Letras, além de aprovar as matrículas por disciplinas. A UFF neste contexto de modernização organizou alguns órgãos importantes tais como: Conselho Universitário, Conselho de Curadores e Conselho de Ensino e Pesquisa. Foram também criados órgãos igualmente subordinados ao gabinete do Reitor, entre eles: Administração Geral Escolar, Assistência Social, Núcleo de Processamento de Dados, Imprensa Universitária, Educação Física e Divisão de Orientação Alimentar.

O processo inicial de modernização da UFF e a Reforma Universitária deram a Universidade um novo perfil. Mais moderna e em fase de crescimento, a UFF inaugurou a partir de 1969 novos prédios no Valonguinho e também iniciou a implementação de comissões permanentes importantes como a COPERTIDE - Comissão Permanente de Regime de Tempo Integral e a COMPEG - Comissão Executiva de Pesquisa e Pós Graduação, esta alavancou a criação dos programas de Pós Graduação na década posterior. Neste período, a UFF permaneceu voltada para o Grande Rio, principalmente para Niterói, se caracterizando como prestadora de serviços para a população, destaca-se neste sentido o papel importante do Hospital Antônio Pedro e a sua emergência, primeira ação no sentido de prestação de serviços à comunidade do entorno.