Mário procurou atendimento e morreu um dia após a internaçãoReprodução/Internet

A Justiça do Rio de Janeiro condenou a Clínica da Gávea, na Zona Sul da capital, ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais à mãe e à companheira do músico Mário Rezende Travassos. A decisão foi tomada nove anos após a morte do artista, ocorrida em julho de 2017, quando ele tinha 39 anos.

Filho do ex-vice-prefeito de Niterói Luiz Eduardo Travassos, Mário procurou a unidade de saúde por iniciativa própria em busca de atendimento para um quadro de ansiedade. No entanto, ele morreu um dia após dar entrada na clínica.

De acordo com a decisão judicial, uma perícia técnica apontou que a morte teve relação com a forma como foi realizada a contenção física do paciente. O laudo produzido durante o processo afastou a hipótese inicial de causa cardíaca e concluiu que procedimentos inadequados adotados durante a imobilização contribuíram diretamente para o óbito.

Desde o início das investigações, familiares contestaram as circunstâncias da morte. Eles afirmaram que o corpo apresentava diversos sinais de lesão, incluindo ferimentos na cabeça e no rosto, hematomas e dentes quebrados. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.

As apurações indicaram que o músico teria acessado uma área restrita da clínica antes de ser contido por funcionários. Imagens de câmeras de segurança analisadas durante a investigação registraram o momento em que ele foi imobilizado no chão por profissionais da instituição. Segundo a perícia mencionada na ação cível, a pressão exercida sobre suas costas durante o procedimento foi determinante para a morte.

Além do processo de indenização, funcionários envolvidos no episódio também responderam na esfera criminal. A decisão mais recente reconhece a responsabilidade da clínica pelos danos sofridos pelos familiares da vítima.

Trajetória ligada a Niterói

Natural de Niterói, Mário Travassos desenvolveu sua carreira artística na cidade e integrou bandas como Guanabara Ska Club, Uiskeletos, O Divã Intergaláctico e Coquetel Acapulco. Também estudou composição na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e participou de projetos culturais e sociais voltados para jovens do Complexo da Maré. A condenação representa mais um capítulo judicial de um caso que mobilizou familiares, amigos e defensores dos direitos humanos ao longo dos últimos anos.
O livro recém-lançado pelo jornalista, escritor e editor Pedro de Luna, “Mariestro: Um Tributo ao Gigante Mario Travassos” (Ilustre Editora) resgata a trajetória humana e artística do músico e artista plástico. A obra reúne depoimentos de familiares, amigos, professores e parceiros de carreira para reconstruir a vida de um artista que marcou a cena cultural de Niterói.
A publicação aborda sua formação, atuação em bandas, projetos sociais e engloba toda a sua produção artística. Também relembra os últimos anos de sua vida e as circunstâncias de sua morte. Mais do que tratar da tragédia,o livro busca mostrar quem Mario era como pessoa e criador.
Ao longo de 104 páginas, o leitor conhece relatos sobre sua criatividade, sensibilidade e talento. A obra surgiu a partir de uma iniciativa de sua mãe, que desejava preservar sua memória. "Mariestro" é, acima de tudo, uma homenagem ao legado deixado pelo artista e um registro de sua importância para a cultura de Niterói