Por felipe.martins

Rio - Para muitos torcedores que não podem ver os jogos da Copa nos estádios, os bares do Rio se transformam em uma espécie de arquibancada. Os famosos “pés sujos” são os preferidos da torcida. A maioria com mesas espalhadas pelas calçadas e alguns fechando parte de ruas. Como no tradicional Bar do Maciel, mais conhecido como Bar do Feio, na esquina da Rua Dias da Cruz com Doutor Bulhões, no Méier, Zona Norte, onde metade da via principal foi ocupada por mesas. Conhecido pelo exótico prato de codorna, atraiu pelo menos 200 pessoas que assistiram ali a vitória do Brasil sobre a Colômbia.

“Essa animação já é uma tradição aqui. Em dia de jogos o trânsito fica tranquilo e as mesas nem atrapalham”, argumentou o gerente do estabelecimento, Antônio Carlos Paiva, de 53 anos, ressaltando que só durante a partida foram servidas mais de 100 codornas ao molho da casa e pelo menos 500 cervejas.
Como todo botequim que se presa, o ambiente familiar predomina. “Venho aqui há 14 anos com minha mulher (Pâmela, 31) e meus filhos (Nikolas, 11, e Larissa, 9). Nas folgas, neste Mundial, estamos sempre aqui”, afirmou o sargento do 3º BPM (Méier), Paulo César dos Reis.

Torcedores acompanharam a partida entre Brasil e Colômbia no Bar do Feio%2C no Méier. A especialidade da casa é a tradicional codornaAlexandre Vieira / Agência O Dia

Diante da tensão do jogo, os garçons são mais solicitados. “À medida que a partida fica complicada, os fregueses nos chamam sem parar. O jeito é ficar com um olho no padre e outro na missa”, brincou o garçon Hélio Fernando Araújo, 36.

No segundo gol do Brasil, o analista de sistema Ronaldo Soares, 56, ouvia o jogo pelo rádio. Segundos antes dos colegas, vibrou com a cobrança de falta de David Luiz que balançou a rede colombiana. “Me olharam de cara feia, mas todo mundo comemorou junto”, brincou.

Na Lapa, os botecos receberam muitos estrangeiros. “Sou francês, mas como meu time 'dançou´ hoje (ontem), estou torcendo para o Brasil daqui para frente”, garantiu o economista Richard Tissou, 39 anos, que viu a Seleção Brasileira vencer no Bar Rio Barcia, na Rua do Riachuelo.

Churrasco de javali grátis

Os moradores da Travessa Gregório, na Rocinha, provaram um sabor diferente ao torcerem pelo Brasil, ontem. O dono do bar Glimário da Rocinha fez um churrasco com carnes exóticas, de graça no meio da rua.

“Se o Brasil fizer gol, vou assar javali”, bradou Glimário Santos, de 46 anos, quando a bola começou a rolar no Estádio Castelão, em Fortaleza. Poucos minutos depois, quando a Seleção balançou a rede, cerca de 50 pessoas que assistiam ao jogo na porta do restaurante pediram em uníssono: “Javali, javali, javali”, esquecendo até de gritar gol. “O churrasco é uma forma de agradecer a todos que estão sempre aqui me privilegiando. Perco um dinheiro hoje, mas ganho amanhã”, ponderou Santos.

Quando o Brasil marcou o segundo gol, todos aproveitaram para saborear a vitória antecipadamente junto com a carne do javali e arroz de açafrão. “Eestá uma delícia. Torcer pelo Brasil é mais gostoso aqui”, disse a produtora alimentar Valesca de Santana, 40.

A chilena Grimanesia Laura Escovedo, 50, moradora do Rio Comprido, levou a família inteira para conferir a partida na Rocinha. “Aqui é mais divertido, familiar. É muito bom, o melhor lugar para torcer pelo Brasil”, elogiou.

*Com Tássia Carvalho

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