Por felipe.martins

Rio - O duelo entre Alemanha e Argentina vai muito além do futebol. No Rio, os dois países já são “adversários” conhecidos quando o assunto é legado. Na brincadeira para descobrir o que eles deixaram de bom na cidade, o país germânico ganha na educação e na arquitetura. Já a Argentina demonstra toda a sua popularidade com o tango, o rock e o cinema. Mas é na gastronomia que a briga empata, com carne e vinho argentinos ao lado de salsichas e cervejas alemãs.

Para conquistar admiradores na culinária, cada país tenta fazer sua defesa. A alemã Anne Hofmeister está certa de que a cerveja e a comida de seu país são melhores. “As receitas que uso são todas da minha família. Não há nada industrializado, tudo é feito na hora”, declara a dona do restaurante Biergarten, na Lapa, onde a carta de cervejas chega a 150 rótulos.

No recém-inaugurado Biergarten%2C na Lapa%2C o garçom Danilo Trindade serve 150 rótulos de louras geladas e pratos típicos alemãesCarlo Wrede / Agência O Dia

Defensor da carne argentina, o cozinheiro do restaurante Pobre Juan, com casas na Barra e na Gávea, explica que o modo de preparar o alimento é o segredo do sucesso. “Os argentinos fazem a carne na brasa, sem a fumaça, o que garante a maciez”, conta Glauco Felipe Montauban. “A uva Malbec, muito bem produzida na Argentina, é o que deixa o vinho especial”, reforça a sommelière Márcia Alpaes.

Por trás de toda pompa e luxo do Palácio do Catete, está o arquiteto alemão Carl Friedrich Gustav Waehneldt. Ele foi o responsável pelo projeto do espaço, onde funcionou a sede do poder Executivo brasileiro de 1897 até 1960. “Somos muito influenciados pela arquitetura germânica. O desenho dos telhados compondo a fachada, que se tornou comum aqui, é ideia deles”, revela o presidente do Conselho de Arquitetura do Rio, Sydnei Menezes.

Tango%2C dança da região do Rio da Prata%3A apreciado na cidadeDivulgação

Das escolas mais tradicionais da cidade, duas são alemãs: a Escola Corcovado, criada em 1960 e que atualmente tem 90% de seus alunos brasileiros; e o Colégio Cruzeiro, fundado pela colônia alemã no Rio em 1862, com nome de Deutsche Schule (Escola Alemã). Hoje, o colégio possui duas unidades e mais de 10 mil alunos.

Na dança, o tango é o grande protagonista da Argentina. No Rio, mais de 30 academias são especializadas na modalidade. “O tango é mágico, e a elegância desperta o interesse e a paixão dos cariocas”, declara Marcelo Martins, professor de tango da Escola Carioca de Dança,
na Tijuca.

Darín na tela, Nina no som

Falar de cinema é pensar no argentino Ricardo Darín. O talentoso ator e diretor ganhou milhares de fãs no Brasil a partir de sua atuação no filme ‘O segredo dos seus olhos’, em 2009. A fama de Darín é tanta que ele até já recebeu convites dos cineastas Fernando Meirelles e Walter Salles para participar de filmes brasileiros.

Na música, a Argentina também bate um bolão com sua influência em nosso rock. Prova disso é a interação entre o grupo Paralamas do Sucesso e o argentino Fito Páez. Em 1991, a banda brasileira regravou uma música do cantor argentino, a ‘Track Track’, e estourou nas rádios.

Quem muito se inspirou na música alemã, na década de 1990, foi o cantor Supla. Ao lado da alemã Nina Hagen, ele gravou a canção ‘Garota de Berlim’. “Foi uma experiência incrível. Em 2001, depois do sucesso da música, chegamos a gravar um clipe na Alemanha”, relembra Supla, que vai cantar o sucesso dos anos 1990 em um show na Lapa hoje.

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