Por felipe.martins

Rio - Para os católicos, eles têm uma espécie de ‘linha direta’ com Deus. Não por acaso, o jogo de domingo já foi apelidado de ‘final santa’ pelos torcedores. Representantes dos dois países que podem conquistar no Maracanã a taça mais desejada do futebol, os papas Francisco e Bento XVI, quem sabe, podem assistir à partida juntos. A redação brasileira da Rádio Vaticano entrevistou na Itália dois padres que têm programas na emissora — um alemão e um argentino — e que conhecem bem os Pontífices. Em pauta, como ambos devem reagir diante do duelo dos melhores do mundo.

Bento XVI%2C que é alemão%2C e o Papa Francisco%2C argentino%2C têm hábitos diferentes e devem ‘sofrer’ separados com a decisão da Copa amanhãEfe

“Francisco não olha TV, não tem TV no seu apartamento, mas Bento XVI, sim.Bento, talvez, o convidará para assistir à partida (risos) e talvez, ao invés de olhar a partida, irão à capela rezar, um pela Alemanha e outro pela Argentina”, afirmou o padre Guillermo Ortiz à Rádio Vaticano.

Ortiz tem relação próxima com Francisco. Eles se conhecem desde 1977. Em Buenos Aires, antes de ser Papa, o religioso era conselheiro espiritual do padre que é responsável pelos programas de língua espanhola da rádio.

O padre alemão Bernd Hagenkord fez questão de lembrar que Bento XVI não é um grande torcedor de futebol, ao contrário de Francisco. Ele acredita que é chegado o momento para o time que goleou por 7 x 1 o Brasil. “É um tempo muito intenso para nós, alemães, porque, pela primeira vez após não sei quantos anos, chegamos à final e venceremos, obviamente (risos). Bento não é um grande torcedor de futebol. Francisco torce, mas vai dormir muito cedo, não sei se vai olhar a partida, talvez sim”, disse Hagenkord.

A verdade é que, independentemente do resultado, o Vaticano já tratou de mandar uma mensagem de paz aos torcedores. Ontem, o Conselho Pontifício da Cultura pediu que se faça um minuto de silêncio no final da Copa pela paz entre os povos. No Twitter, a campanha foi lançada com a hashtag #pausaparaapaz. “Esta pausa poderia ser no começo do jogo, na metade ou em qualquer instante”, afirmou o membro do Pontifício Conselho para a Cultura, Richard Rouse.

TOMA LÁ, DÁ CÁ

Padre Ortiz: “Eu acho que a Alemanha tem um pouco de medo (risos), porque nós somos famosos pelo futebol e temos jogadores muito bons!”.

Padre Hagenkord: “Trabalhamos praticamente ao lado, no mesmo andar (Padre Ortiz)….existe um pouco de tensão,mas muito amigável! É um tempo muito intenso para, nós, alemães, porque pela primeira vez, após não sei quantos anos, chegamos na final e venceremos, obviamente (risos)!”.

Padre Ortiz: “Francisco não olha TV, não tem TV no seu apartamento, mas Bento XVI, sim. Bento, talvez, o convidará para olhar a partida (risos) e talvez, ao invés de olhar a partida, irão à capela rezar, um pela Alemanha e outro pela Argentina!”.

Padre Hagenkord: "Bento não é um grande torcedor de futebol. Francisco torce, mas vai dormir muito cedo, não sei se vai olhar a partida, talvez sim...”.

Padre Ortiz: "Francisco está muito preocupado com a Argentina, onde existe uma situação social e econômica muito particular, onde existe tanta gente que sofre muito. Eu penso que Francisco não deseja que isso seja uma distração... É importante mostrar que nós somos bons, que chegamos à final e mesmo que a Copa fique conosco ou com outro, é só um jogo.Agora devemos mostrar que somos bons e que devemos superar os problemas com a fraternidade, com o encontro, com o diálogo e a busca do bem comum para todos”.

Padre Ortiz: "O esporte mostra a fraternidade, une. Esta será uma partida que mostrará o melhor de cada um, mas para unir, não para de enfrentar de modo ruim”.

Padre Hagenkord: “O futebol une … Mas depois que tivermos vencido (risos) haverá um pouco de tensão. Mas depois se entenderá melhor que este esporte une mais que separa. Mas final é final! Será uma belíssima partida!”.

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