Rio - Após ocuparem o Sambódromo e o Terreirão do Samba para acampar com barracas, motor-homes e carros, os argentinos, que invadiram o Rio para assistir a final da Copa do Mundo, começaram a deixar a cidade durante a madrugada e manhã desta segunda-feira. Após a derrota de 1 a 0 para a Alemanha, os ‘hermanos’, que amargaram o vice-campeonato, fizeram as malas e aproveitaram os últimos momentos em solo carioca. Eles têm até quarta-feira para deixar os locais onde estão acampados.
Argentinos começam a deixar o Rio
Nesta manhã, muitos argentinos já haviam deixado o Terreirão e Sambódromo, enquanto outros se preparavam para sair. Alguns ainda não sabem como vão voltar para casa e negociam carona com outros compatriotas. A euforia pré-jogo foi trocada pela ressaca moral no local. Entretanto, muitos aceitaram a derrota e se contentaram com o vice-campeonato.
"Estou contente. Apesar do jogo de ontem, nosso país é o segundo melhor, entre muitos países. Nem os brasileiros devem ficar tristes, já que foram o quarto", disse o músico Pappo Copado, de 42 anos. Ele pretende ficar mais uma semana no Rio.
Após a derrota, muitos ainda preferiram curtir o fim da noite em bares antes de encarar uma viagem por cerca de três mil quilômetros até seu país. Outros, passaram a noite dentro de carros, ou em redes e barracas. E teve torcedor que dormiu no chão, mesmo na fria temperatura de 21 graus.
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"Foram 35 horas de viagem e chegamos no domingo pela manhã para ver a Argentina ser campeã no Brasil, mas não foi desta vez. Vamos embora do Rio com muita tristeza, mas orgulhoso. Agora, teremos dois dias para voltar para casa", contou o taxista Nicolas Acúna, de 26 anos, que veio com outros três amigos de carro, da cidade de San Pedro, do norte argentino e que por volta das 2h30, já arrumava as malas para deixar o Sambódromo.
Na Marquês de Sapucaí, pelo menos 200 carros ainda estavam estacionados no local. Angel Vigaron, 40, improvisou o banco de uma Fiat Uno como cama, e passou a madrugada dentro do carro com outro amigo. Ele que chegou ao Rio na manhã de domingo, esperava amanhecer para viajar por dois dias até a Província de Entre Ríos, que fica no Norte da Província de Buenos Aires.
"A dor é enorme, pois podíamos ganhar esta Copa. Ainda mais na casa dos brasileiros. Queria voltar para meu país gritando 'é campeão!'. Não tenho mais o que fazer no Rio", lamentou Angel.
Nervosos, alguns torcedores ainda demonstravam desprezo pelos brasileiros. Grupo de seis argentinos, que jogavam futebol no Sambódromo, se irritou com a presença da equipe do DIA. "Vocês são brasileiros? Vão embora!", gritou um jovem vestido com a camisa do Flamengo tentando intimidar a equipe de reportagem.
A segurança no entorno da Praça da Apoteose foi reforçada por policiais militares do Batalhão de Choque e Guardas Municipais, que forneciam garrafas d'água para o sedentos torcedores argentinos.
Na Lapa e em Copacabana, embora a presença de turistas era intensa, muitos não fizeram festa e apenas aproveitaram o último dia de Copa. Na Avenida Atlântica, mesmo com a derrota, argentinos estiveram em maior número que alemães. Enquanto alguns bebiam em quiosques, outros dormiam em frente de hotéis, nas areias da praia ou em carros, esperando o nascer do sol para voltar para casa.
Garotas de programa reclamam de baixa procura de turistas
?O alto preço cobrado por garotas de programa na orla de Copacabana foi alvo de reclamação de muitos turistas, principalmente de argentinos. De acordo com as profissionais, o serviço estava caro por causa do último dia de Copa.
“Estamos cobrando R$ 300 por hora, pois queremos oferecer sexo ‘padrão Fifa’. Infelizmente com a derrota dos argentinos, ficamos sem lucrar. Antes do jogo eles queriam o programa. Comemoraram antes da final”, contou ‘Isabele’ — nome fictício —, de 39 anos, 19 deles como garota de programa em Copacabana, que após o jogo, ficou sem cliente por mais de quatro horas.
E teve até gente que viajou por mais de sete horas para fazer programa em Copacabana. As amigas Mariana, 29 e Gabriela, 26, saíram de Belo Horizonte de ônibus na manhã de domingo para conquistar turistas na orla.
“Aqui o movimento é muito fraco. Em BH fiz dez programas no dia do jogo entre Brasil e Alemanha. Sete deles eram turistas americanos. Em Copacabana, parece que os gringos estão sem dinheiro para o prazer. Só um alemão me procurou”, garantiu Mariana, que usou um grande decote, exibindo seus 325 ml de silicone em cada seio, chamando atenção dos torcedores.
Delegacias da Zona Sul também tiveram alta procura. Elas receberam vários registros de perda e/ou roubo de documentos, roubos e furtos, principalmente em Copacabana. A maioria das vítimas eram argentinos.




