Por thiago.antunes

Rio - Cinco pessoas foram baleadas em perseguição policial a bandidos na Praia de Icaraí, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, na noite desta terça-feira - duas delas vítimas de balas perdidas. A ação começou quando quatro criminosos armados no Voyage preto roubado, placa LQR-3543, de São Gonçalo, iniciaram um arrastão do lado de fora do Espaço Convés, na Rua Coronel Tamarino, no Gragoatá, um dos pontos de encontro de universitários de Niterói. Eles foram perseguidos por seis quilômetros pela orla da Zona Sul, onde foram presos. Todos são moradores do bairro Zé Garoto, em São Gonçalo, município vizinho.

De acordo com o mecânico de navios Rodrigo dos Santos Victoria, 35 anos, um grupo de cerca de 15 pessoas estava na entrada do Espaço Convés, na Rua Coronel Tamarino, no Gragoatá. Elas participariam de um debate sobre cultura no local, onde outras 50 pessoas já estavam. Por volta das 20h30, o carro dos bandidos subiu a rua e na volta três jovens armados desceram do Voyage anunciando o assalto. O quatro ficou na direção do carro.

PMs do 12º BPM (Niterói) perseguiram três criminosos na Estrada Miguel Fróes após os bandidos realizarem um arrastão nas proximidades Reprodução Internet

"Fui o primeiro a ser abordado. Um deles cismou que eu era polícia. Disse que eu era mecânico, trabalhador. Ele veio direto na minha carteira para ver meus documentos e confirmou que não era policial. Levou os R$ 15 e o relógio", contou Rodrigo, pela primeira vez vítima de assalto na cidade onde mora. Ele revelou que o momento mais tenso ocorreu quando o criminoso disse que quem estivesse com telefone celular no bolso iria morrer. Desestimulado por um comparsa, após roubar as outras vítimas, o grupo fugiu em seguida no veículo.

As vítimas ligaram para o 12º BPM (Niterói) e PMs identificaram o carro dos bandidos. Durante a perseguição de seis quilômetros, a quadrilha disparou várias vezes contra os policiais. Testemunhas disseram que os marginais teriam atirado de propósito em um grupo que jogava bola na Praia de Icaraí, com o objetivo de fazer com que os PMs desistissem da perseguição para prestar socorro. A informação ainda não foi confirmada pela polícia.

Em frente ao Iate Clube Icaraí, na Estrada Leopoldo Fróes, duas pessoas foram vítimas de balas perdidas. De acordo com parentes, um marinheiro, não identificado, foi atingido de raspão na nuca; já o comerciário Marco Antonio Guimarães, de 52 anos, foi ferido no braço direito. Eles passariam por cirurgias.

Pouco depois, na mesma via - que liga Icaraí a São Francisco, área nobre na orla da Zona Sul de Niterói - a quadrilha foi cercada e houve novo confronto com os PMs. Leandro de Castro Oliveira, de 20 anos, Alan Ribeiro Félix, 22, e um adolescente de 16 anos, acabaram baleados. Socorridos, eles foram levados para o Hospital Estadual Azevedo Lima, com ferimentos sem gravidade, onde estão presos sob custódia. Ainda não há informações sobre o estado de saúde deles.

Lucas Felipe Arruda de Oliveira, 20, que tem antecedentes por receptação, não se feriu. Ele está preso na 77ª DP (Icaraí), central de flagrantes da região, que irá investigar o caso. Na delegacia, a mãe dele se disse envergonhada com a prisão do filho. "Não criei ele para isso. Não onde eu e minha família erramos", disse chorando.

O Voyage usado no crime teve a lataria e pneus furados por tiros. Os PMs apreenderam duas pistolas, pelo menos dez celulares, relógios, carteiras e pertences roubados no arrastão.

Critica às UPPs e repercussão na internet

Um estudante de 23 anos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que preferiu não se identificar e teve o celular roubado, criticou a segurança pública do Rio, mas reconheceu a agilidade da polícia.

"Sempre teve assalto nesta região. Mas piorou muito com esse projeto falido das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras). Mas, polícia não falta. Eles chegaram muito rápido", disse o estudante. Na delegacia, ele reconheceu por foto três dos quatro bandidos presos.

O caso repercutiu em página no Facebook de moradores do Icaraí:

“Foi uma troca de tiro intensa. O táxi que eu e uma amiga estávamos simplesmente parou no meio do tiroteio e uma bala acertou a lataria. Estou tremendo até agora”, relatou a moradora.

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