Por daniela.lima

Rio - Domingo de sol no Rio de Janeiro. Programa de turista? Visitar o Corcovado, claro. O engenheiro aposentado Dirceu Augusto dos Passos, de 65 anos, gaúcho, saiu do hotel, no Leblon, sem imaginar que ao voltar estaria sem a carteira com todos os seus documentos e R$ 1.200,00. O que parecia azar, no entanto, acabou por confirmar que aquele era o dia de sorte de Dirceu.

Dirceu reencontra Ubirajara para gradecer a atitude do cobradorJoão Laet / Agência O Dia


Ainda pela manhã, ele pegou um ônibus com a família e foram todos até o Largo do Machado. De lá, embarcou numa van para o Cristo Redentor. Chegou no fim da missa, mas, em seu primeiro lance de sorte, ainda a tempo de ser abençoado pelo padre Omar, reitor da capela localizada aos pés do cartão postal.

Em seguida, foi almoçar num badalado restaurante da Urca, cuja fila de espera é de até duas horas. Deu sorte mais uma vez: não esperou mais de meia hora.

Na volta, pegou o ônibus da linha 512. Pagou a passagem, sentou-se ao lado da esposa e não se deu conta que a carteira caiu do seu bolso. Só bem depois, já no hotel, deu conta da perda ao tentar abrir a porta do quarto. “Foi um desespero. Cancelei todos os meus cartões e fiquei sem vontade de fazer mais nada. Só pensava em como ia ser ficar, longe de casa, sem meus documentos”, contou Dirceu.

Mas a sorte, sempre ela, estava com ele. Em menos de duas horas, foi chamado à recepção do hotel. À sua espera estava o cobrador Ubirajara Moreira de Oliveira, 39 anos. Em suas mãos, a carteira de Dirceu. Intacta. “Achei a carteira caída no banco do ônibus e lembrei do senhor gaúcho que entrou na Urca e me perguntou se aquela linha ia até o Leblon. Imaginei a situação dele, um turista, fora da sua cidade e sem os documentos”, disse o cobrador. Após terminar o trabalho, ele pegou seu próprio carro e foi ao Leblon procurar, de hotel em hotel, o dono da carteira. Só o encontrou no terceiro em que entrou, o Hotel Marina.

Dirceu e a esposa, Fátima Mariza, demoraram a acreditar. Ubirajara não quis recompensa e rapidamente se despediu. “Essa história de ‘achado não é roubado’, para mim, não existe. Ensino isso aos meus filhos. Achou, não é nosso? Devolve”, revela Ubirajara, que ganha R$ 1.089,00 por mês.

Já Dirceu se disse muito surpreso e agradecido ao receber de volta sua carteira. Ontem à tarde, Dirceu e Ubirajara se encontraram para selar o final feliz desta história de sorte.

Reportagem: Márcio Allemand

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