Rio - O sequestro de Diego Pereira da Silva, o Maluquinho, pode ter sido uma espécie de acerto de contas por causa de um assassinato. Denúncias repassadas à polícia apontam que o filho de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, teria participado da morte do irmão de um PM com o qual manteria negócios. Como vingança, o militar teria seguido e capturado Diego na madrugada do dia 8 deste mês, conforme O DIA publicou com exclusividade na edição de quarta-feira, na saída de baile funk no Chapadão, em Costa Barros.
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A Divisão Antissequestro (DAS), que investiga o caso, irá ouvir novamente hoje a mãe de Diego. Ao comunicar o fato no dia 13, ela contou que o filho foi surpreendido em casa, enquanto dormia. Um primo da vítima também estaria no local quando quatro homens — de toucas ninja, coletes da polícia e armados com pistolas e fuzil — invadiram a residência no Jardim América.
A negociação para o resgate teria sido feita por traficantes do Chapadão, através de telefone deixado na casa. Embora os sequestradores tenham pedido R$ 1 milhão, foram entregues como resgate R$ 276 mil, dois relógios e barras de ouro, no dia 10, em Campo Grande, Zona Oeste. Porém, Maluquinho ainda continua desaparecido.
A Polícia Civil investiga se o descumprimento do trato pode ter desencadeado uma recente onda de ataques a PMs no Rio. Irritado, Elias Maluco, um dos chefões do Comando Vermelho, teria ordenado, de dentro do presídio federal de Campo Grande (MS), que os policiais identificados em áreas dominadas pelo CV fossem executados. Dois PMs foram mortos nos últimos dias.
Diego, que também é suspeito de chefiar o tráfico de drogas em quatro comunidades de Duque de Caxias, entre elas a Favela do Dique, teria passado a madrugada do dia 8 no baile funk da Favela Final Feliz, no Chapadão. Segundo relatos informais, o suposto policial, por ser próximo, conhecia sua rotina e itinerários, e sabia que Maluquinho não costumava andar com seguranças para não chamar a atenção.
Outra possibilidade, que também pode ter ligações com a linha principal de investigação, atrela o crime a um grupo de milicianos da Favela do Quitungo, em Brás de Pina, especializado em sequestrar criminosos. Através de grampos telefônicos, a polícia soube que paramilitares da região capturaram, em julho, um bandido cujo apelido é DV, da Final Feliz, e recebido R$ 400 mil e barras de ouro pelo resgate.
Teriam também mantido refém um antigo chefe do Dique, identificado como Coruja, solto após outro pagamento. Diego cumpriu pena por assalto a mão armada e porte ilegal de arma, e é tido como especialista em roubos de cargas e carros. Ele teria assumido o controle de favelas recentemente.




