Rio - Cartola aprendeu a tocar cavaquinho ainda criança, pegando o instrumento escondido do pai. Era o início de uma trajetória que se tornou uma das mais consagradas do samba. De lá para cá, a alvorada permanece iluminando os caminhos do Morro da Mangueira. No entanto, muita coisa mudou. Mais de cem anos depois, é a vez de sua neta resgatar a identidade dos mais jovens da comunidade, em um projeto social que acredita que o samba também se aprende na escola.
Carregando o DNA do seu avô, Nilcemar Nogueira coordena uma exposição itinerante que já percorreu três escolas públicas na região da Mangueira e ainda visitará mais sete. Com presença de grandes nomes do samba, apresentação de livros, fotos e vídeos sobre o tema, painéis virtuais e atividades de oficinas, o projeto realizado pelo Centro Cultural Cartola pretende resgatar a ligação entre as crianças da comunidade com a história do lugar onde vivem. Os alunos respiram samba durante uma semana.
"Os alunos relatavam com orgulho que eram netos de figuras conhecidas no samba. Quando eles percebem esse laço, se fortalecem com indivíduos”, disse Nilcemar. “Hoje as crianças sofrem influências externas e acabam perdendo valores fundamentais dessa cultura. Já não vemos mais famílias inteiras frequentando o samba como antigamente. Há uma perda de identidade”, afirmou.
GRATIFICANTE!
Crianças da comunidade aprovam a exposição
Antes e depois da exposições, os estudantes preenchem um formulário. Segundo Nilcemar Nogueira, a grande maioria marca o ‘X’ na opção que não conhece a história da samba, mas o resultado final é gratificante. “Aprendi muitas coisas legais. Uma delas é que o Carnaval brasileiro é resultado de uma mistura africana”, escreveu Viviane Padilha, de 11 anos, aluna da Escola Municipal Uruguai.
“Eu fui à escola e aprendi sobre a história do samba. Vou contar tudo o que aprendi”, anotou Anny Marques, de 10 anos, da Escola Municipal Marechal Trompowsky, que fica em São Cristóvão.
Estudante da mesma instituição, Samirah Oliveira, de 9 anos, lamentou o fim da exposição. “Aprendi como é importante a história. A atividade foi linda mas passou o tempo e aí acabou”, escreveu.
Professor de música da Marechal Trompowsky, Nilson Roberto destacou a importância da identificação com a cultura da comunidade. “A contextualização da educação musical é fundamental e motiva os alunos a buscarem o conhecimento. A Mangueira é um local que possui uma cultura muito ampla” afirmou o professor.
Segundo Nilcemar, o objetivo é levar o projeto para escolar públicas em toda cidade.
Reportagem: Lucas Freitas (Estagiário)




