Tuchinha é assassinado na Mangueira

Ex-traficante, Francisco Paulo Testas Monteiro trabalhava atualmente com o Afroreggae

Por paulo.gomes

Rio - O ex-traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, foi morto, na tarde desta terça-feira, na Mangueira, na Zona Norte. A confirmação foi feita pela assessoria da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP). Por volta das 14h30, PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Mangueira receberam a informação de que um homem teria sido morto na Rua da Prata, na região do Morro dos Telégrafos. Lá constataram que a vítima era o ex-traficante.

De acordo com moradores da região, Tuchinha estaria acabando de lavar seu carro, uma Land Rover Discovery placa KNU-5272 na cor verde musgo, na Rua da Prata, quando foram ouvidos pelo menos cinco tiros. Policiais no local informaram que dois homens em uma moto efetuaram os disparos. Agentes da Divisão de Homicídios (DH) da Capital já estão no local, mas tiveram dificuldades para iniciarem a perícia, já que os familiares do ex-traficante queriam chegar próximo ao corpo. Parte do comércio no local está fechado. 

O ex-traficante Francisco Paulo Testas Monteiro%2C o Tuchinha%2C foi assassinado na tarde desta terça-feira%2C na Mangueira. Ele comandou o tráfico na comunidadeFabio Gonçalves / Agência O Dia

Tuchinha deixou a prisão em 2011, quando passou a trabalhar com o Afroreggae. Em outubro daquele ano, ele esteve na Mangueira para dar uma palestra onde contava sua história. Segundo o ex-traficante, ele queria mostrar aos jovens que o crime não compensa e que todos podem mudar de vida. “Perdi minha juventude na cadeia. Me arrependo. Quero mostrar aos jovens que o crime não compensa para que eles não precisem sofrer na carne o que eu sofri”, disse.

Na ocasião, ele relembrou como entrou para o crime. Ele disse que o motivou foi vender um carro a ‘gerente’ do tráfico na Mangueira e não receber o dinheiro. “Tomei o carro, e ele ameaçou me matar. Passei a andar armado para me defender e parei de trabalhar. Depois, comecei a roubar”, contou ele, que após convite do cunhado, Ricardo Gonçalves da Silva Gomes, o Ricardo Coração de Leão, virou traficante. “Trabalhava muito e fiz o lucro aumentar”, disse o ex-integrante do Comando Vermelho.

Tuchinha mudou de facção e, quando foi preso, ficou em cela sozinho por medo de morrer. Ele conta que teve receio de ser morto por policiais para quem, segundo ele, perdeu mais de R$ 1 milhão após sequestro.

Beltrame visitou Mangueira e prometeu reforços no policiamento da Baixada

Poucas horas antes do assassinato de Tuchinha, o secretário de segurança José Mariano Beltrame esteve na Mangueira. Durante o lançamento do primeiro Conselho de Gestão Comunitária de Segurança, na sede da UPP local, ele anunciou o reforço no policiamento em dois municípios da região: Duque de Caxias e Nova Iguaçu. São Gonçalo, na Região Metropolitana, também receberá o reforço de policiais recém-formados.

A decisão foi tomada após a constatação do crescimento da mancha criminal das regiões. Serão cerca de 200 policiais para cada município. "O que ninguém escreve é que tivemos um grande aumento no número de apreensões nestas áreas. Estamos batendo recordes em prisões e apreensões", disse Beltrame.

O secretário disse ainda que o Morro do Chapadão, em Costa Barros, será ocupado em breve. "Não há mágica. Já chegamos nas 40 UPPs prometidas, se contarmos as da Maré. Mas já está tudo planejado sobre o Chapadão. Eles ainda vivem sob o império do trafico".

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