Polícia faz operação para desarticular quadrilha que atuava em sindicato

Segundo investigações, bando atuava na Região Metropolitana e se apropriava das taxas pagas por comerciantes

Por paulo.gomes

Rio - Policiais da Delegacia Fazendária da Polícia Civil (DELFAZ) realizaram no início da manhã desta segunda-feira a Operação Sindicato do Crime, que tem como objetivo desmantelar uma quadrilha que atuava no Sindicato de Empregados do Comércio dos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito, Maricá, Tanguá e Saquarema. A ação visa cumprir dez mandados de busca e apreensão na sede do sindicato, que fica na Travessa Cadete Xavier Leal, número 13, Praça do Comércio, Niterói.

Durante as investigações, a polícia descobriu que a presidente do sindicato, Rita de Cácia da Silva Rodrigues de Almeida, usava laranjas (como a secretária que recebe em carteira R$ 900 e movimentou em sua conta corrente mais de R$ 500 mil) para desviar as taxas pagas por comerciantes para que seus funcionários trabalhem nos domingos e feriados. Com isso, segundo os policiais, ela conseguiu um patrimônio invejável. Rita de Cácia foi indiciada por crimes de apropriação indébita, formação de quadrilha, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Policiais da Delegacia Fazendária da Polícia Civil (DELFAZ) realizaram nesta segunda uma operação no Sindicato de Empregados do Comércio%2C em NiteróiOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"Essas investigações começaram em 2013 através de uma denúncia de homicídio e cárcere privado. Aí chegamos até a presidente do sindicato através de movimentos de bens dela. Ela foi presa por estelionato antes de 2004. A quadrilha dela tinha pelo menos cinco integrantes e movimenta entre R$ 500 mil a R$ 1 milhão por mês", disse a delegada da Polícia Fazendária, Tatiana Queiroz.

Segundo ela, ainda não há mandados de prisão expedidos no nome de Rita de Cácia, mas devem ser emitidos já nos próximos dias. 

A delegada explicou como funcionava o esquema dentro do sindicato. "Para o comércio funcionar aos domingos e feriados, é necessário que os comerciantes paguem uma taxa. Com isso, a nota informa quantos funcionários iriam trabalhar naquela data. E ela apenas anotava metade dessa quantidade de funcionários e assim se aproveitava do dinheiro dos comerciantes e comprava imóveis, carros e casa. Ela queria fazer dinheiro e comprava todos esses bens com cheques de terceiros", diz.

A sede do sindicato, do qual Rita de Cácia é presidente desde 2004 e que pelo estatuto da entidade ficaria até 2020, é bem luxuosa. De acordo com a delegada, ainda não há indícios de que Rita de Cácia operava o esquema desde o início do mandato. Na sala da presidência, que teve que ser arrombada com uma cavadeira, foram encontrados móveis caros, além de tabelas com valores que são cobrados dos comerciantes, entre outros documentos.

Agentes da Polícia Civil tiveram que arrombar a sede do Sindicato de Empregados do Comércio%2C que é presidido por Rita de Cácia da Silva Rodrigues de Almeida desde 2004Osvaldo Praddo / Agência O Dia

O que também chamou a atenção dos policiais foi um luxuoso salão de beleza, que funciona no sindicato e um setor de estoque de produtos do salão. Esse estabelecimento tem um acesso exclusivo para a sala da presidência.

Os policiais também encontraram fotos de viagens que Rita de Cácia fez para o exterior. Um documento em que registra uma viagem para Dubai, em novembro do ano passado, mostra que ela gastou R$ 200 mil. "Essas fotos de viagens são indícios de que ela usava o dinheiro do sindicato para uso próprio", afirma a delegada Tatiana Queiroz.

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