Justiça põe abaixo casa com acesso à última ‘praia exclusiva’ do Rio

Paraíso privado na Avenida Niemeyer será aberto ao público

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Por anos a praia esteve ali, espremida entre a Praia do Leblon e a faixa de areia em frente ao Hotel Sheraton, invisível para quem circulava pela Avenida Niemeyer e privatizada de forma irregular. Mas foi na última semana, com a demolição de uma casa na via, por ordem judicial, que o Rio viu brotar uma nova área de lazer em meio às obras de construção da ciclovia que ligará, entre outros bairros, o Leblon a São Conrado.

A queda do muro e consequente liberação do trecho — de pouco mais de 50 metros de extensão e banhado pelo mar — foi comemorada nesta quinta-feira nas redes sociais e causou verdadeiro rebuliço no meio imobiliário, que se surpreendeu com o fim a última ‘praia exclusiva do Rio’.

Mansão fechava acesso a uma praia ao lado do Sheraton. Prefeitura abrirá passagem para a populaçãoJoão Laet / Agência O Dia

De acordo com o engenheiro Eduardo Pompeia, da Bolsa de Imóveis do Rio, tão surprendente quanto a promessa da prefeitura em criar um acesso à região é queda de um dos imóveis mais caros da cidade. “Por se tratar da última casa com acesso privativo ao mar e estar fincada no coração da Zona Sul, o preço do metro quadrado podia girar em torno de R$ 50 mil, valor equiparável ao dos imóveis localizados na Avenida Delfim Moreira, endereço mais valorizado do Brasil”.

Hoje, o antigo portão que antes delimitava o acesso ao número 99 da Avenida Niemeyer, encontrava-se aberto e, dos escombros da residência, podia-se ver a faixa de areia que, segundo moradores do Vidigal, já havia sido ‘invadida’ por eles pelo caminho de pedras que margeia o hotel. “Era uma aventura na minha infância. Caminhávamos por mais de meia hora para chegar à ‘Praia do Burguês’”, como se refere o ajudante de pedreiro Nicolau Andrade, que se surpreendeu ao saber, aos 28 anos, que o espaço — como todas as praias do Rio — é de acesso livre. Ou deveria ser.

“Nunca soube de ninguém que bateu na porta do dono para tomar um banho de sol. Mas daria tudo para ver essa cena”, se divertia. Procurada, a prefeitura não informou se a casa foi construída de forma irregular, tampouco se o dono será ressarcido pelas benfeitorias e da construção no local.

Do Leme ao Pontal: região terá ciclovia

A prefeitura do Rio afirma que ainda não há projeto, licitação, nem prazo para criação da área de lazer na região. Porém, esta seria a vontade do prefeito Eduardo Paes. Nas redes sociais, eram muitas as manifestações. Em uma delas, a internauta Fabiana Ribeiro pedia para que a praia, que estará no subconsciente de quem cantar a música ‘Do Leme ao Pontal’, de Tim Maia, seja batizada com o nome do autor.

Curiosamente, a casa não tinha acesso direto à praia. Um deque com piscina e churrasqueira garantia o lazer emoldurado pelo mar, do dono e de seus convidados. Mas os moradores do Vidigal prometiam honrar o uso que não foi feito por décadas. “Basta uma trilha de acesso e uma rede vôlei”, dizia o estudante Matheus Rocha.

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