Ex-comandante de UPP é demitido por corrupção

Capitão Adjaldo foi condenado a seis anos de prisão por recebimento de R$ 15 mil por semana de bandido para passar informações de planos estratégicos da polícia

Por paloma.savedra

Rio - Ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro de São Carlos, o capitão Adjaldo Luiz Piedade Júnior foi demitido da corporação nesta terça-feira por recebimento de propina de um traficante, em 2011. O oficial prestava continência para o traficante Sandro Luis de Paula Amorim, o Peixe. Para não reprimir o tráfico de drogas, Piedade recebia pagamentos do criminoso de até R$ 15 mil por semana.

Ex-comandante alega que não há provas suficientes para condená-loDivulgação

A decisão de demitir Piedade foi tomada pelos desembargadores da Seção Criminal do Tribunal de Justiça. E foi chancelada ontem pelo governador Luiz Fernando Pezão, como publicado no Diário Oficial do Estado. O ex-oficial está preso no Batalhão Prisional (antigo BEP). “É inacreditável”, afirmou o desembargador Marcus Basilio ao analisar a relação do oficial com o traficante no acórdão que determinou a demissão de Piedade.

O ex-oficial foi o primeiro comandante de UPP a ser condenado pela 11ª Vara Criminal da capital a seis anos de prisão, em 2013, em regime fechado, por associação para o tráfico. No processo há gravações telefônicas que revelaram a relação do ex-PM com os traficantes. Piedade recorreu da condenação na 1ª Câmara Criminal. O ex-capitão se defende alegando que não há provas suficientes para condená-lo.

Mas as investigações da Polícia Federal revelaram que Piedade era tão próximo do traficante Peixe que, após viajar com a família para o Pará, no Norte do país, em outubro de 2011, trouxe na bagagem o pirarucu, também conhecido como bacalhau da Amazônia, para o criminoso. A iguaria era presente de aniversário.

De acordo com denúncia do Ministério Público estadual, como comandante da UPP, Piedade passava ao chefe do tráfico de drogas informações valiosas sobre o planejamento estratégico do policiamento da UPP, tais como localização, viaturas e a realização de incursões nos morros de São Carlos e na Mineira, também patrulhado pela mesma unidade.

Perda do cargo é vista pelo TJ

As investigações da Polícia Federal constataram o esquema criminoso do então capitão da PM entre novembro de 2011 e janeiro de 2012. Na ocasião, a Justiça decretou a perda do cargo de Piedade, enquanto respondia ao Conselho de Justificação, procedimento que pode resultar na perda do cargo para oficiais. Mas que deve ser submetido ao Tribunal de Justiça.

Na 11ª Vara Criminal, além de Piedade, mais cinco réus foram condenados. Alex Moura de Matos, a quatro anos de reclusão; Douglas Moura de Matos, braço direito de Alex, a três anos e três meses de reclusão; Anni Fabiana de Souza Barata, Shirlei da Silva Nascimento e Jeovânio Beserra Santos a três anos de prisão.

Com exceção do ex-PM, eles tiveram as penas substituídas por prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa. E aguardam julgamento de recurso na 1ª Câmara Criminal.

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