As contramestras ? graduação hierárquica logo abaixo da de mestre ? Jaqueline Ferreira da Silva Gaspar, conhecida como Kew, e Lucilene Teixeira, a Shayna, são referências na modalidadeDivulgação
Protagonismo feminino ganha força na capoeira e transforma realidades em Nova Iguaçu
Duas mulheres têm na capoeira não apenas uma prática esportiva, mas um verdadeiro propósito de vida
Nova Iguaçu - No mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, histórias de força, superação e protagonismo feminino ganham ainda mais destaque. Em Nova Iguaçu, duas mulheres têm na capoeira não apenas uma prática esportiva, mas um verdadeiro propósito de vida. As contramestras — graduação hierárquica logo abaixo da de mestre — Jaqueline Ferreira da Silva Gaspar, conhecida como Kew, e Lucilene Teixeira, a Shayna, são referências na modalidade e já foram vencedoras do Prêmio FENIG Destaque Iguaçuano, concedido pela Prefeitura, por meio da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu (FENIG), que reconhece projetos, ações e personalidades que se destacaram e contribuíram para o desenvolvimento da cidade.
Com trajetórias distintas, mas conectadas pelo amor à capoeira, Kew e Shayna transformaram a arte em ferramenta de educação, inclusão e cidadania, impactando diretamente a vida de crianças, jovens e famílias em seus territórios.
Kew, de 38 anos, iniciou na capoeira ainda na infância e, desde então, construiu uma relação profunda com a prática. A contramestra destaca que a modalidade foi determinante em sua formação pessoal e profissional. “Eu me formei em Educação Física graças à capoeira”, conta.
Fundadora da Associação Cultural, Desportiva e de Capoeira Quilombolizando – Quilombo em Foco, criada em 2019, em Comendador Soares, ela desenvolve um trabalho voltado principalmente para a inclusão de crianças neurodivergentes. Atualmente, o projeto atende cerca de 20 meninos e meninas, com uma metodologia que respeita o tempo de cada aluno. “A gente trabalha a adaptação, depois a socialização, até eles estarem integrados com todo o grupo”, explica.
Os resultados são motivo de orgulho e emoção. “Tem criança que não falava e hoje canta, participa, se comunica. Quando vejo eles evoluindo, fico apaixonada”, relata Kew, que também enfrentou desafios ao longo da trajetória, incluindo o machismo dentro da modalidade. Para ela, o Prêmio FENIG foi um divisor de águas. “Foi um pontapé inicial que deu visibilidade ao nosso trabalho e abriu portas que antes pareciam distantes”, destaca.
Já Shayna, de 39 anos, acumula mais de 25 anos de dedicação à capoeira. Ela encontrou na prática uma forma de transformação pessoal após um episódio de agressão na adolescência. “Eu aprendi a me controlar mais e a não me envolver em situações de agressão. Graças à capoeira, nunca mais precisei me defender”, afirma.
Projeto Capoeira Iguaçuana
As associações das quais Kew e Shayna fazem parte também integram os 39 grupos mapeados pela Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu (FENIG), por meio do projeto Capoeira Iguaçuana. A iniciativa, realizada por meio de chamamento público, identificou e reconheceu grupos que desenvolvem trabalhos culturais e sociais em diferentes regiões do município.
Além do mapeamento, o projeto possibilitou ações de apoio às atividades desses grupos e às tradicionais rodas de capoeira, fortalecendo a comunidade e incentivando a continuidade das práticas. Com atuação descentralizada, os grupos atendem públicos diversos, incluindo crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência, promovendo inclusão, disciplina e valorização das tradições de matriz africana.
O Capoeira Iguaçuana também oferece suporte estrutural para eventos. Além desse fomento, alguns grupos locais participaram do edital de Chamamento Artístico, que possibilitou suas presenças em diversos eventos da cidade, como os Festivais de Arte de Nova Iguaçu, ampliando a visibilidade da capoeira como manifestação artística de grande impacto social.

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