Roberli Bicharra: Vida longa pede atenção à degeneração macular

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença que atinge uma área da retina, chamada mácula, e que provoca perda progressiva da visão central

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Estamos vivendo mais. A expectativa de vida para quem nasce hoje no Brasil é de 75 anos, 20 a mais do que há 50 anos. Se, por um lado, a perspectiva de uma almejada vida longa nos traz novas possibilidades, por outro, nos despertam algumas preocupações. O Dia Mundial da Saúde Ocular, comemorado hoje, abre espaço para falarmos de um problema que atinge a população idosa e pode causar sério comprometimento da visão.

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença que atinge uma área da retina, chamada mácula, e que provoca perda progressiva da visão central. Ela é a principal causa de perda visual irreversível em idosos e, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, afeta entre 20% e 30% da população com mais de 65 anos. Entre os sintomas estão o embaçamento da visão central, a distorção de linhas retas, o esmaecimento das cores e a percepção de uma área escura no centro da visão, inviabilizando atividades cotidianas.

Há dois tipos de DMRI: a seca, mais frequente, com perda gradual da visão; e a úmida, que corresponde a 10% dos casos e tem uma progressão mais rápida e severa. Apesar de ainda não haver cura, existem meios de desacelerar seu desenvolvimento. No Hospital Federal da Lagoa, os pacientes com DRMI são orientados a adotar uma dieta adequada, cujos benefícios para a saúde ocular já foram comprovados. Nossos pacientes também são encaminhados a especialistas para que sejam treinados a utilizar a visão periférica com recursos óticos especiais.

Além da idade, outros fatores de risco são sexo e raça (é mais comum em mulheres e pessoas brancas), tabagismo, exposição à luz solar intensa, diabetes, obesidade e hipertensão arterial.

Estes últimos nos dão dicas para investirmos na prevenção, apostando em hábitos saudáveis e na adoção de dieta que inclua peixe, nozes, azeite e vegetais com altos níveis de antioxidantes, como couve e espinafre. E não se esquecer das visitas regulares ao oftalmologista, que pode diagnosticar e intervir precocemente em quaisquer alterações na saúde dos olhos.

?Roberli Bicharra é oftalmologista e diretora do Hospital Federal da Lagoa

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