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João Baptista Ferreira de Mello: rosas raras e pioneiras

Na verdade, esta feminina compilação é apenas simbólica, pois 'são muitas...são tantas/ são todas tão rosa', pioneiras mulheres desta Aldeia Tupi, nossa Terra de Santa Cruz

Por João Baptista Ferreira de MelloRoteiros Geográficos do Rio da Uerj

João Baptista Ferreira de Mello, coordenador dos Roteiros Geográficos do Rio da Uerj e colunista do DIA
João Baptista Ferreira de Mello, coordenador dos Roteiros Geográficos do Rio da Uerj e colunista do DIA -

Rio - 'Nada como ser Rosa na vida/ rosa mesmo ou mesmo/ Rosa mulher...' escreveu Caymmi em versos e canção. Neste Dia Internacional da Mulher, prestemos nossas reverências a essas encantadoras, revolucionárias e bravas mulheres.

Iniciemos com Anna Nery, nome de escola universitária de Enfermagem de alto padrão. Ganhou expressão por seus esforços no campo dos socorros e prestação de serviços no Brasil e no Paraguai. Sigamos com Chiquinha Gonzaga, precursora de uma cultura nacional. Abolicionista, republicana, primeira maestrina do país, casou novamente aos 52 anos com um jovem de 16 e com ele permaneceu até sua morte, aos 88 anos. Abram alas para Chiquinha Gonzaga e sua inaugural e eterna marcha-rancho de 119 carnavais.

Avancemos neste nicho da cultura. Tia Ciata, venerável matriarca do samba, reinou nos domínios da Praça 11 dos Bambas e da Pequena África do Rio de Janeiro. Nos palcos, Tônia Carrero pontificou na cena teatral reunindo charme, beleza e talento. Rainha do Rádio, Marlene, soberana dos auditórios superlotados, nos anos 50, foi proibida de cantar no lendário auditório da Rádio Nacional por envergar calça comprida. Só retornou por imposição do público. Marlene foi, também, a primeira mulher a 'puxar' um samba-enredo na Avenida para a vitoriosa Império Serrano, nos idos de 1972, com 'Alô alô, Taí Carmen Miranda'.

Na placidez religiosa, Irmã Dulce, sem olhar a quem, praticou o bem, espraiando caridade e encorajamento.

Na passarela dos desfiles de beleza, Vera Lúcia Couto dos Santos, do Clube Renascença, sagrou-se Miss Guanabara. Quebrando todos os tabus, foi a primeira negra a se classificar em um concurso internacional, justo nos Estados Unidos em 1964. Para ela, João Roberto Kelly compôs a famosa marchinha 'Mulata Bossa Nova'. Em outro certame, Lucia Petterle, em 1971, foi coroada nossa única Miss Mundo, em Londres.

No rico cenário da literatura, Carolina Maria de Jesus, uma mulher das favelas de São Paulo, transformou-se da noite para o dia em uma celebridade com a publicação de seu livro 'Quarto de Despejo', best-seller no Brasil e no exterior. No cenário político, Dilma Rousseff, nossa primeira presidenta, foi alçada ao Planalto Central com a assombrosa soma de 54 milhões de votos. E louvemos a quem estuda e merece projeção: Rafaela Marchon, 17 anos, cravou 980 pontos no Enem e classificou-se em 3º lugar na Medicina da UFRJ, além de um honroso 5º lugar no Direito da Uerj.

Na verdade, esta feminina compilação é apenas simbólica, pois "são muitas...são tantas/ são todas tão rosa", pioneiras mulheres desta Aldeia Tupi, nossa Terra de Santa Cruz.

João Baptista Ferreira de Mello é roteiros Geográficos do Rio da Uerj

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