Victor Acyolli - Divulgação
Victor AcyolliDivulgação
Por Victor Bello Accioly Professor e doutor em Administração

Rio - Há acontecimentos que nos levam a pensar no que podemos fazer diferente. Perdi minha mãe enquanto ela tomava banho. Cinquenta anos, saúde perfeita - então recém atestada por uma bateria de exames -, funcionária pública federal próxima de se aposentar, estudante de Direito, praticante regular de atividade física. Quando a vi caída no chão do box sabia que o pior tinha acontecido. Não adiantava procurar culpados ou responsáveis, não teria minha mãe de volta. Restava, então, entender o que eu poderia fazer para evitar que situações como aquela acontecessem novamente.

Todos os indícios apontavam para envenenamento causado por monóxido de carbono resultante de uma combustão incompleta do gás pelo aquecedor instalado no banheiro, que, em virtude de o basculante ter sido fechado por causa do vento, mesmo com a porta do banheiro aberta, não se dissipou, a intoxicando. Ela não havia feito as manutenções periódicas exigidas pela companhia de gás, bem como havia fechado o basculante. Considerei ser mais importante procurar difundir a história, para não deixar que se repetisse, do que buscar culpados. Na época, após um caso semelhante ter sido noticiado na imprensa, cheguei a conversar com um jornalista, mas diante do meu pedido para não envolver a companhia fornecedora de gás, ele optou por não publicar meu relato.

Eu tinha 24 anos quando do ocorrido. Procurei, desde então, trazer esta reflexão comigo: o que posso fazer diferente? Somente plantando no presente teremos o que colher no futuro. É uma lei universal, infelizmente não há mágica. Nossa sociedade apresenta sinais claros de que está doente, ou de que outra forma poderíamos explicar os índices de criminalidade e de corrupção?

Espero que os responsáveis pelo brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes sejam identificados, julgados e condenados, mas, mais que isso, espero que aproveitemos para refletir sobre o que podemos fazer diferente. Como podemos nos tornar cidadãos melhores, fomentando o amor e a solidariedade em vez do ódio e do individualismo. Não estou almejando por uma sociedade de pessoas perfeitas, afinal, "quem nunca errou que atire a primeira pedra". Contudo, se um simples bom dia acompanhado de um sorriso já transforma um ambiente, sem dúvida, ao encontrarmos "o nosso melhor Eu", estaremos modificando a sociedade para melhor.

Victor Bello Accioly é professor e doutor em Administração

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