Paula Tringuelê: acolher uma criança

Negligência, violência física e sexual e risco na comunidade em que vivem são algumas causas que levam jovens e adolescentes a serem integrados neste projeto de Acolhimento Familiar

Por O Dia

Paula Machado
Paula Machado -

Rio - Quem pensa que acolher uma criança ou um adolescente é uma coisa simples, está enganado. É sobretudo um ato de amor. Se colocar à disposição do Projeto Família Acolhedora é estar em sintonia com o desejo de solidariedade, cidadania, inclusão social dos que necessitam deste amparo. Vivi a experiência de ter implantado este projeto nacional em Guapimirim, município do Rio de Janeiro.

O projeto recebeu o apoio de famílias que não estavam se propondo à adoção, que são situações muitas vezes demoradas e necessariamente rígidas em critérios de grandes filas de espera e de afinidades de ambas as partes. A família que se propõe a acolher tem como principal meta proteger jovens ou adolescentes de uma situação de abandono ou risco pessoal e social. É um lar provisório até retornarem às suas famílias biológicas ou substitutas. Enquanto isto não acontece, a proposta de casais ou solteiros é a de inseri-los com muito carinho a um ambiente familiar e de integração social. E, com certeza, os devolvendo a autoestima de forma sadia e positiva.

Negligência, violência física e sexual e risco na comunidade em que vivem são algumas causas que levam jovens e adolescentes a serem integrados neste projeto de Acolhimento Familiar. Recebem lares temporários de pessoas com idades entre 25 e 55 anos, com boas condições de saúde, que não são dependentes químicos, sem antecedentes criminais, situação financeira estável, com todos os membros da família de acordo com o acolhimento e que não estejam participando de nenhum processo de adoção. A Família Acolhedora recebe uma ajuda de custo pelo tempo que o assistido estiver em seu lar.

Na maioria das vezes estas crianças ou adolescentes são afastados de seu convívio familiar pelo Conselho Tutelar, que comunica o fato ao Ministério Público. Neste período em que estiverem com esta Família Acolhedora serão preparados, para sua volta à família biológica ou para serem adotadas, se for o caso. Daí a importância de divulgarmos, cada vez mais, este programa de proteção e integração social para que haja pessoas inscritas conscientizadas de sua importância no período de seis meses a dois anos em que estiverem acolhendo um menor.

Paula Tringuelê é ex- secretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Guapimirim

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