Sobre mentiras

Por Ruy Chaves, Especialista em educação

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Rio - Que saudade de meu polêmico amigo Bismarck, o Chanceler de Ferro, um dos estadistas mais importantes do século 19!

Descendente de nobre linhagem, diplomata e político prussiano que vestia uniforme militar ainda que não fosse oficial regular, Bismarck, para conquistar a unidade alemã, apoiando-se no nacionalismo e no militarismo, usou a estratégia da força em detrimento do liberalismo político.

Em público cultivava imagem de rigor e austeridade, mas em intimidade era muito bem-humorado e irônico, além de romântico, falando e escrevendo fluentemente também em inglês, francês e russo, citando Shakespeare e Byron em cartas frequentes à sua esposa.

Bismarck me gozava por meu nome, Míope Astigmático, aquele que não enxerga absolutamente nada com clareza, nem de longe nem de perto. Previa que eu nunca deixaria de ser o homem comum do Mito da Caverna, de Sócrates, como narrado por Platão em 'A República'; que eu nunca veria mais que vultos distorcidos projetados nas paredes sombrias das cavernas da ignorância; que, por toda a vida eu continuaria perseguindo utopias, correndo atrás de moinhos, defendendo a ética de princípios e acreditando até a morte que os amantes da Justiça e da sensatez deveriam ser os dirigentes das cidades, capazes de realizar o ideal do bem comum como objetivo único do Estado. E insistia: toda a vida é política e fazer política com ética é o mesmo que caminhar por trilha estreita na floresta densa carregando uma vara longa entre os dentes. A política é a arte do possível e nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e após uma caçada. E concluía piedoso: Acorde, não sonhe o impossível, Míope Astigmático!

E acordei pensando em mamãe, que sempre dizia que eu era lindo, na minha turma de velhinhos da praia, sempre exagerando suas glórias do passado, e nos bravos jovens e antigos caçadores do meu time, Contadora, que exageram sempre o peso de seus peixes. Pequenas mentiras não fazem mal aos homens nem aos deuses, divertem e fortalecem amizades, mas, se Bismarck estiver certo, quem mente em eleição engana a sociedade, rouba o poder e pratica crime hediondo, não?

E nas eleições de outubro, já decidiu em quem votar? Seu candidato não mente ou você é prisioneiro das trevas e enxerga a mentira apenas dos outros candidatos? Panta rei.

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Ruy Chaves, colunista do DIA Divulgação

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