Medicina do Estilo de Vida: mudar é preciso

Por Renato Baena Presidente do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida

Renato Baena -

Dias que passam voando só para lembrar das tarefas que ficaram em aberto e serão cobradas na manhã seguinte, antecipando o estresse; noites mal dormidas acompanhadas pelos pensamentos que não se acalmam; idas aos fast foods para ganhar tempo; falta de energia para ver e estar com os amigos; promessas de largar o cigarro ano que vem; preguiça de sair do sofá...

As situações acima poderiam facilmente ser um retrato instantâneo da sociedade atual. Temos cada vez mais acesso à tecnologia, confortos, facilidades, mas tudo por um preço: inicialmente, o nosso tempo. Não temos tempo para pensar nas nossas prioridades: a dieta fica para segunda-feira, a atividade física fica para as resoluções de fim de ano, ficar doente, nem pensar temos muitas coisas para fazer e contas para pagar. Assim o tempo passa, vamos nos fragilizando dia a dia, aprendendo a conviver com estresse, ansiedade, sedentarismo, erros alimentares, insônia, dores crônicas, impotência perda de autonomia, isolamento social, depressão... até irromperem as agressões finais: as chamadas doenças crônicas do estilo de vida, que trazem mais sofrimentos e morte precoce.

A boa notícia é que todo mundo pode evitar este quadro, escolhendo hoje hábitos e comportamentos que promovam saúde, bem-estar e qualidade de vida. Realizar uma mudança efetiva e duradoura nesse cenário, não é apenas um virar de chave, não existem milagres.

Porém, a Medicina do Estilo de Vida está aí para nos mostrar que é possível, sim, com profissionais, especificamente treinados, com foco direcionado para a modificação de comportamentos e hábitos e baseados nas melhores evidências científicas disponíveis.Esta nova abordagem propõe práticas para promover um estilo de vida equilibrado e para a construção efetiva de bem-estar físico, mental, social e espiritual muito além da mera ausência de doença.

Nesse processo de transformação, os indivíduos são agentes ativos. Os profissionais facilitam e apoiam a motivação do paciente que opta por uma vida plena com alimentação saudável, atividade física, sono reparador, convívio social e controle de estresse, da ansiedade, da depressão e de comportamentos abusivos.

Além dos efeitos diretos para o indivíduo, se levarmos em conta os diversos ambientes em que ele está inserido - família, trabalho, comunidade - podemos ampliar ainda mais os benefícios que a Medicina do Estilo de Vida pode trazer.

De 9 a 11 de novembro de 2018 ocorre o I Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, organizado pelo Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, onde este e outros temas serão abordados. É uma boa oportunidade para lançarmos luz nesse caminho em busca da promoção da saúde, bem-estar e qualidade de vida muito além da mera ausência de doenças.Se não criarmos mudanças duradouras e sustentáveis, as doenças crônicas e a morte prematura serão a norma, não a exceção.

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