Hei de torcer até morrer...

Por Arnaldo Niskier *

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Rio - Os amantes do futebol costumam também ser supersticiosos, e se apegam a qualquer acontecimento ou fenômeno para fazer ligação com o clube de coração. O ano de 2019 poderá ser o ano do América, o clube de futebol mais charmoso do Rio de Janeiro, e também considerado o segundo time dos cariocas. Recentemente, o presidente eleito Jair Bolsonaro apareceu em público ostentando uma camisa do América, apesar de ser torcedor do Palmeiras em São Paulo, e dizer que é botafoguense no Rio. O que terá levado o futuro ocupante do Palácio do Planalto a vestir o manto rubro, de tantas tradições? Com certeza ele "virou casaca", expressão que significa que o torcedor de um time passa a torcer por um outro clube. É o que esperam os muitos americanos que existem não só no Rio, mas em todo o Brasil, entre os quais eu me incluo. Um fato está conspirando para que haja alguma esperança: este ano o América conquistou o Campeonato Carioca da Segunda Divisão, o que o qualificou a disputar a fase seletiva da primeira divisão da competição, em dezembro, para conseguir uma das duas vagas restantes e se juntar às dez agremiações já classificadas para a disputa da taça em 2019.

O América sagrou-se campeão carioca pela última vez no ano de 1960, tornando-se o primeiro do recém-criado Estado da Guanabara. Quase cem mil torcedores lotaram o Maracanã para assistir a final contra o Fluminense. Apesar de ter começado perdendo por 1 a 0, no primeiro tempo, o time rubro virou na fase final, com gols do ponta-esquerda Nilo e do lateral-direito Jorge. Comandado pelo técnico Jorge Vieira, este foi o esquadrão americano que entrou em campo na partida decisiva: Ari; Jorge, Djalma Dias, Wilson Santos e Ivan; Amaro e João Carlos; Calazans, Antoninho, Quarentinha e Nilo.

Lembramos que Pompeia era na verdade o goleiro titular (atuou em 16 das 22 partidas), mas se machucou, dando o lugar a Ari nas últimas rodadas do campeonato. O título foi histórico porque o Fluminense era uma verdadeira seleção, sob a batuta de Zezé Moreira, com craques do nível de Castilho, Pinheiro, Altair, Waldo, Telê e Escurinho. Mas não teve como parar o volume de jogo implementado pelos americanos naquele grande final de campeonato.

Mais recentemente o América conquistou o Torneio dos Campeões, em 1982, campeonato especial que reuniu campeões e vices do Campeonato Brasileiro, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Taça Brasil e Torneio Rio-São Paulo. O América foi convidado por ter sido o clube que mais havia participado das competições (o mesmo caso do Santa Cruz, de Recife). Foi um campeonato acirrado, com equipes como o Santos, São Paulo, Vasco da Gama, Botafogo, Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Bahia, Fortaleza, Guarani, Portuguesa de Desportos e Náutico (o Flamengo não quis participar). Na final, no Maracanã, 2 x 1 para o América contra o Guarani de Campinas, com o ponta-esquerda Gilson Gênio assinalando o gol do título.

Ao contrário do que vem ocorrendo com o roqueiro inglês Mick Jagger - que quando torce por um país numa Copa do Mundo a seleção escolhida acaba sempre desclassificada -, esperamos que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, seja um "pé-quente". Que a sua atitude de vestir a camisa do América ajude o clube a ter uma boa campanha no Campeonato Carioca, e se possível, que seja o campeão. Se não for possível, que pelo menos fique entre os primeiros colocados da competição. Vamos ficar na torcida.

(* Da Academia Brasileira de Letras e presidente do CIEE-RJ)

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