Divirta-se no Carnaval, mas previna-se contra as ISTs

Doenças sexualmente transmissíveis atingem mais de um bilhão de pessoas no mundo todo

Por O Dia

O Carnaval é uma festa popular mundial das mais animadas e representativas. No Brasil, o Carnaval é muito esperado e as pessoas se tornam mais alegres e desinibidas. A sensualidade é evidente e muitos praticam sexo desprotegido e em situações de risco. Essas situações provocam as gestações indesejadas e as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

As ISTs são tão antigas quanto a espécie humana. Inclusive na Bíblia há relatos sobre elas. São as doenças mais comuns e acredita-se que mais de um bilhão de pessoas no mundo todo estejam contaminadas com alguma delas que não o HIV, que transmite a aids.

As ISTs são causadas por vírus, bactérias e parasitas transmitidos pelo contato sexual (oral, vaginal, anal), sem o uso de camisinha masculina ou feminina, por pessoa que esteja infectada. Pouca gente sabe, mas são descritas mais de 30 dessas doenças. Entre as mais comuns, as infecções bacterianas, tais como sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase, são curáveis, enquanto que as infecções virais, como por exemplo as provocadas pelo herpes, as hepatites B e C, a aids e o papilomavírus humano (HPV), são tratáveis, mas não curáveis.

A infecção pelo HPV pode provocar verrugas e câncer no colo do útero, no ânus e na garganta. Algumas podem provocar sequelas permanentes, como infertilidade, impotência, problemas neurológicos e psiquiátricos, e umas poucas podem levar ao câncer e à morte. Mas todas podem ser prevenidas. O conhecimento sobre elas é a chave para a prevenção.

A forma mais eficaz é a abstinência sexual. Todavia, a prática do sexo seguro diminui o risco de infecção. Para tanto, recomenda-se o uso dos preservativos (masculino ou feminino), poucos parceiros sexuais ou relações sexuais sempre com o mesmo parceiro. O uso de drogas ilícitas e a ingestão abusiva de bebidas alcoólicas podem acarretar a perda da crítica e levar a comportamento de risco, incluindo o sexo sem proteção. Há vacinas que reduzem o risco dessas doenças e entre elas temos a vacina contra a hepatite B e as contra o HPV. Ambas estão disponíveis na rede pública. O mesmo vale para os preservativos. Tanto o feminino quanto o masculino podem ser retirados gratuitamente na rede pública de saúde.

Quando os preservativos são colocados de forma correta conferem proteção contra a gravidez e as ISTs em até 97% das vezes. Entre as causas de falha do método estão o retardo na colocação, a ruptura e o deslizamento. Importante é a colocação logo após a ereção e antes dos jogos sexuais preliminares. Esse comportamento evita o contato com o fluido pré-ejaculatório que apresenta tanto risco para infecções e gravidez como o sexo sem proteção. Muitas pessoas com IST estão assintomáticas, mas mesmo assim podem transmitir as doenças para seus parceiros.

Sexo é bom e agradável, mas deve ser praticado com responsabilidade. Não se esqueça da camisinha.

 

Sidney Roberto Nadal é presidente eleito da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e supervisor da Equipe Técnica de Proctologia do Instituto de Infectologia Emilio Ribas - São Paulo

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