Cravo Albin: As ruas e o baile do Copa

Luxo, beleza, qualidade e glamour.

Por O Dia

O miolo do Centro do Rio sempre foi o berço de origem do Carnaval desde o século XIX. A volta do Carnaval de rua na cidade é um fenômeno que se esboçou na década de 90. Ou melhor: sua primeira manifestação veio muito antes, com a Banda de Ipanema, sob a batuta saudosa do bamba Albino Pinheiro.

São precisamente elas, as ruas, que voltaram a comandar a sedução sem paralelos da alma carioca. Tantos são os blocos e as bandas que a municipalidade teve que intervir para que a cidade não parasse, para que o cheiro de urina dos milhões de foliões não infectasse a cidade.

Outro viés provocador da revitalização do Carnaval carioca é a volta dos bailes carnavalescos, velha tradição dos primórdios do carnaval no século XIX. Eles se inauguraram no Rio em 1947, para a elite e a aristocracia se divertirem. O zé povinho ganhava somente as ruas, para acompanhar os bumbos tonitroantes dos Zé Pereiras.

Esses bailes – que sempre foram uma tradição nos clubes, e até no Teatro Municipal do Rio – têm hoje seu esplendor no baile de gala do Hotel Copacabana Palace.

Costumo dizer que – por todos os diferenciais – o Baile do Copa pode ser considerado o baile de carnaval mais sedutor, único e original do mundo. O que, acreditem, não é exagero. Tal como as escolas de samba são hoje o mais radioso espetáculo de arte popular e de espontaneidade que qualquer povo produz.

Este Baile de Gala exibe a cada ano uma decoração variada que encanta e seduz centenas de frequentadores. Fui dar uma espiada no último sábado. E lá me deliciei com a decoração deste ano, feita por um querido artista carioca, o também carnavalesco Mario Borriello. Aliás, ele foi campeão do sambódromo com o Salgueiro de 1993, que realizou um dos melhores desfiles de todos os tempos, ‘Peguei um Ita no norte’, resgatando tradições consolidadas no imaginário da cultura do Brasil, desde a magia de Belém de Pará aos Itas (navios pequenos) da nossa costa marítima.

Este ano Borrielo desenvolveu o tema ‘Itália’, com todo o cadinho de suas seduções. Isso depois de realizar cenários e décors diversificados que encantaram os últimos quatros bailes.

Lembro-me de que certa vez, há tempos, topei lá com Mario Vargas Llosa, com quem conversei por meia hora, e a quem ciceroneei por todos os salões. Comentário final do escritor: “Festa assim nunca imaginei, nem nas mil e uma noites árabes”.

O Baile do Copa é caro? É sim. Mas vale todos os reais investidos no ingresso. Ele se dá o privilégio de não apenas servir as mais refinadas iguarias em seus bufês, mas também de contratar dezenas de figurantes – devidamente fantasiados dentro do tema específico da decoração – para sustentar a animação nos seus salões. Ou seja: luxo, beleza, qualidade e glamour. Em resumo, o carnaval do Rio, que começou esta semana, esbanja diversidade. E também possibilidades concretas de que volte a alegria nestes tempos sombrios.

Passados os fortíssimos temporais que se abateram sobre a nossa cidade desde o dia 6 de fevereiro, com ventos de até 110 km/h, no limite de serem classificados como furacão, a cidade voltou à normalidade, com a tristeza dos dias nublados e chuvosos dando lugar à alegria e ao alto astral do povo carioca, com a chegada do Carnaval.

A maior festa popular do país teve início com os primeiros blocos de rua e chega ao ápice agora, com o desfile das grandes escolas de samba, na Marquês de Sapucaí.

Assim como esteve presente em todas as regiões da cidade removendo árvores, galhos e lama, e ajudando na desobstrução de bolsões d´água, a Companhia está levando sua expertise e tradição de atuação em grandes eventos aos pontos de maior concentração de público, para garantir que os foliões possam brincar o carnaval em paz e com tranquilidade.

 

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