Eugênio Cunha: Invisivelmente essenciais

Não podemos admitir, em pleno Século 21, condições desiguais entre mulheres e homens

Por O Dia

Minha esposa está grávida. Como é uma gravidez que requer alguns cuidados, de uma hora para outra tive que fazer alguns serviços da casa. Assim, além dos afazeres cotidianos - que não são poucos - decorrentes do meu exercício docente, acumulei os caseiros, como, por exemplo, cuidar intensivamente de um filho pequeno de dois anos.

Depois de alguns dias esbaforido e atoleimado, fiquei imaginando como minha mulher podia dar conta de todo aquele trabalho. No mundo social, comumente, mulheres não são vistas pela perspectiva feminina, mas pela cultura masculina. De fato, nem sempre é reconhecido o valor do seu papel social. São lembradas, no entanto, quando homens ocupam suas funções mais comuns, que raras vezes são reputadas como importantes.

Na sociedade patriarcal em que vivemos, é estabelecida uma ordem social em que o gênero continua atuando como parâmetro para atribuir a relevância das pessoas. As mulheres, mesmo exercendo função idêntica a dos homens, têm menos oportunidades no mercado de trabalho e dificuldades de empregabilidade. Se não bastasse essa incongruência, ainda fazem jornada dupla em casa. Trata-se da essência feminina invisível aos olhos da coletividade. As mulheres trabalham em torno de três horas por semana a mais que os homens, e mesmo com nível educacional mais alto, têm o salário em média reduzido em 23,5%.

Por isso, é bom que os homens assumam algumas das responsabilidades historicamente impostas a elas, pois é extremamente difícil reconhecer a essencialidade feminina sem vivenciá-la em algum momento, em alguma situação. Não é simples exercer com responsabilidade uma profissão e ainda trabalhar em casa, cuidando de uma criança pequena ou cuidando dos intermináveis afazeres domésticos.

Não podemos admitir que em pleno Século 21, com visíveis avanços nas políticas dos direitos civis, ainda perdurem condições desiguais entre mulheres e homens. Ainda se vê o sexo feminino capacitado apenas para a vida do lar e a maternidade. É preciso desconstruir crenças anacrônicas e preconceituosas.

Nós, homens, devemos, sem dúvida, comemorar o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Mesmo que a data tenha surgido em razão de uma série de manifestações por melhores condições de trabalho, devemos celebrar, principalmente, porque as mulheres existem e são insubstituíveis.

 

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