Luiz Paulo: Tragédias em sucessão: quem são os culpados?

As instituições passam ao largo da prevenção, expondo vidas a perigos de todas as espécies

Por O Dia

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Rio - A sucessão de fatos catastróficos mostra-nos o despreparo de instituições públicas e privadas para lidar com riscos. Na confusa trajetória do Brasil, cada vez mais agrega-se perigo a nossas vidas, sem que se enfrente com responsabilidade cada situação.

As instituições passam ao largo da prevenção, expondo vidas a perigos de todas as espécies. Mas por que isso acontece? O momento, pela gravidade e aceleração dos fatos, exige reflexão. Mas joga-se para a plateia, encontram-se falsas soluções que não resultam em proteção, a impunidade se mantem, parecendo indestrutível. Nós, cidadãos, muitas vezes não assumimos responsabilidades, nem por nossos atos, nem pelos de terceiros que deixem em risco outros cidadãos. Mas precisamos ousar nessa cobrança, reagir, fugir do círculo vicioso e apostar na prevenção para que não ocorram as catástrofes. Devemos driblar a apatia que, somada à descrença, nos imobiliza e leva ao limbo dos que nada fazem. Mas pagam a conta. Até com a vida.

De Brumadinho, em que a Vale coloca em área de enorme risco sua parte administrativa e restaurante, na qual centenas de pessoas se concentram; às previsíveis e anuais enchentes com suas vítimas; ao incêndio no CT do Ninho do Urubu, em que morreram dez jovens cheios de esperanças e com futuro imenso pela frente; à morte do maquinista esmagado pelas ferragens do trem. E aí, foi surpresa? Se não houver reação rápida e culpabilização forte, a impunidade cresce e nos engole. Paremos de correr em círculos que só levam a mais vítimas, a mais impunidade e à desmoralização do conceito de cidadania.

Temos, hoje, possibilidades tecnológicas infinitas à disposição para cidadãos, empresas e governos. Mas de que nos servem, se não as usarmos para garantir a vida e segurança das pessoas? Será função da tecnologia focar somente no lucro que se multiplica? Como fica a humanidade, então?

A questão da responsabilidade civil, no nível privado e público, precisa ser efetivada. A atos que causam danos há de haver correspondente punição, rompendo o círculo perverso, e, progressivamente, garantindo redução dos riscos que tanto têm infelicitado o Brasil. Sem isso, não há salvação. Precisamos de mais e mais cidadania.

Para ser o grande fiscal, o cidadão precisa de educação, informação e cultura para exigir seus diretos e cumprir seus deveres.

Como referência para esse tema, deixamos a frase de Ricardo Boechat, uma das vítimas do descaso: "O que a gente tem que colocar em cima da mesa diante de nós mesmos como sociedade é se nós queremos continuar lidando com essas tragédias, pranteando-as no início e as esquecendo logo depois."

Luiz Paulo é deputado estadual pelo PSDB-RJ

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