Julio Furtado - Divulgação
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Por O Dia

Rio - Após a tragédia ocorrida no Colégio Estadual Raul Brasil em Suzano, SP no último dia 13 de março, fui procurado por diversos veículos da imprensa para dar entrevistas, que, via de regra, buscavam dar respostas objetivas, rápidas e conclusivas para um público estarrecido e em busca de alguma coisa que aliviasse a agonia que sentimos diante das catástrofes sem explicação. É claro que não tive e nem tenho tais respostas conclusivas, mas a pergunta mais frequente que ouvi, ressoa insistente em meus ouvidos, levando-me a, no mínimo, refletir permanentemente: qual a responsabilidade da escola?

Penso que existem diversas dimensões que nos levam a elaborar diferentes respostas a essa mesma pergunta. A primeira delas é a dimensão objetiva, simplista e parcial que quer uma resposta rápida e conclusiva. Nesse contexto, poderíamos responder que a responsabilidade da escola foi não ter uma portaria segura por onde passasse apenas pessoas desarmadas e previamente autorizadas. Parece-me uma resposta que não se sustenta, na medida em que alguém determinado a matar, começaria sua tarefa pelo porteiro.

Um segundo nível de análise é fruto da dimensão psicossociológica que tem como foco o desenvolvimento do papel de educação integral da escola. A resposta, nesse universo seria dada através de novas perguntas como: que ações a escola desenvolve, no sentido de combater o bullying e acompanhar e apoiar seus alunos evadidos (como foi o caso do aluno Guilherme)? Qual o espaço que a escola dispensa para ações de saúde mental e apoio sociopsicológico? Parecem questões pertinentes, mas que não podem deixar de levar em conta as reais condições de recursos humanos das escolas públicas brasileiras.

Por fim, mas sem querer concluir o assunto, resta-nos a velha e boa dimensão humano-relacional. Algum professor ou funcionário da escola reparou o silêncio ou comportamento isolado do aluno e se aproximou na tentativa de travar uma relação significativa de apoio? O destaque que vem se dando ao comportamento solidário, humano, caloroso e motivador da coordenadora pedagógica Marilena Umezu me faz refletir sobre o porquê os alunos dão todo esse destaque. Seria uma exceção? Embora também pertinentes, essas indagações não podem deixar de levar em conta a vida atribulada, corrida e difícil dos professores brasileiros que os desconectam da dimensão humana a todo momento.

Júlio Furtado é professor e escritor

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