Hamilton Vasconcellos: A liberação dos vistos

Politizar uma medida econômica importante é inaceitável. A discussão de reciprocidade é minúscula quando calculamos o retorno na geração de receita e a criação de emprego ao país

Por O Dia

Hamilton Vasconcellos
Hamilton Vasconcellos -

Rio - O deputado federal Marcelo Freixo anunciou a sua intenção de, no Congresso, anular a medida do presidente Jair Bolsonaro. Para Freixo “acabar com a exigência de visto para turistas dos Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália sem nenhuma contrapartida” é “ser submisso e bajulador”.

A importância da liberação do visto é inequívoca. Os países que adotaram esse posicionamento tiveram a resposta em números. A plataforma de viagens KAYAK, nos primeiros dias após a medida do governo brasileiro, apresentou um aumento significativo na procura pelo Brasil: australianos 36%, americanos 31%, canadenses 19% e japoneses 4%.

No mesmo sentido, seguem as publicações da Organização Mundial do Turismo (OMT). Estas demonstram que as políticas de facilitação de vistos proporcionam um aumento no número de chegadas de turistas. Ao longo de três anos, o crescimento médio é de 5% a 25% ao ano.

Politizar uma medida econômica importante é inaceitável. A discussão de reciprocidade é minúscula quando calculamos o retorno na geração de receita e a criação de emprego ao país.

A atividade econômica do turismo não permite essa pequenez. Com um turismo globalizado, viralizado nas redes sociais e altamente competitivo, todas as ações positivas representam fortalecimento e atração de mais turistas e mais divisas.

Os empresários do turismo brasileiro reivindicam a liberação do visto americano desde o início dos anos 90. Em poucos meses de 2016, em razão dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, ocorreu uma liberação temporária dos vistos para os mesmos 4 países. Segundo o Ministério do Turismo calculou-se que ocorreu uma perda de US$ 19,3 milhões em taxas consulares. Em contrapartida, os turistas que vieram, beneficiados pela liberação do visto, gastaram US$ 167 milhões, ou seja, 8 vezes mais.

O momento é de comemorar esta medida e aumentar o promoção do Brasil nos quatro países beneficiados, visando atingir os dez milhões de turistas estrangeiros até 2021.

Hamilton Vasconcellos é presidente da Comissão de Turismo da OAB-RJ.

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