Orlando Thomé Cordeiro: Bolsonaro e a nova política

O presidente Bolsonaro, nessas últimas duas semanas, provocou uma série de reações ao reiterar que no seu governo não há espaço para a "velha política".

Por O Dia

Orlando Thomé Cordeiro
Orlando Thomé Cordeiro -

Rio - O presidente Bolsonaro, nessas últimas duas semanas, provocou uma série de reações ao reiterar que no seu governo não há espaço para a “velha política”. Já o deputado Rodrigo Maia rebateu, afirmando que cabe ao presidente eleito definir o que vem a ser “nova política”.

Tenho quase certeza que o deputado não obterá uma resposta definitiva porque, nem o presidente, nem seus apoiadores, conseguem produzir uma definição objetiva. Durante a campanha eleitoral, as candidaturas que surfaram na onda Bolsonaro, diante de tal questionamento, limitavam-se a afirmar que eram “contra tudo que está aí”. Um sentimento de revolta com a corrupção e o “toma lá dá cá”.

Na verdade, pouco importa encontrar essa definição e sim procurarmos entender o fenômeno para além de seus protagonistas. Para tanto, é indispensável constatar que o protesto demonstrado de forma avassaladora nas urnas trazia consigo, num mesmo embrulho, uma aversão, quase rejeição, à atividade política por parte considerável da sociedade.

E é aí que mora o perigo! Não creio que estejamos correndo riscos de retrocesso, mas a história permite afirmar que a preservação da democracia pressupõe a valorização da atividade política. Fora disso, pode ser a barbárie. Portanto, é indispensável alertar e denunciar quaisquer atentados à democracia, mesmo quando por meio dos menores gestos.

Por outro lado, o estado democrático de direito tem como um de seus pilares a permanente busca de diálogo entre os poderes, particularmente na relação entre executivo e legislativo. Um caso concreto a exigir tal entendimento é a tramitação da reforma da previdência no Congresso, cuja aprovação, em seus aspectos essenciais, é fundamental para a retomada do desenvolvimento econômico.

Assim, ouso afirmar que, na refrega entre Bolsonaro e Rodrigo Maia, ambos têm razão. O primeiro por declarar sua rejeição ao "toma lá dá cá” e o segundo por exigir do governo uma ação objetiva de articulação em favor de seu projeto de lei. Espera-se dos representantes eleitos que foquem sua atuação na busca de soluções para os problemas que afligem a esmagadora maioria da população, sabendo que em 2022 o eleitorado poderá novamente decidir sobre os rumos do país.

Orlando Thomé Cordeiro é consultor em Estratégia.

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