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Michele Joia: Inclusão de cegos

Os primeiros atendimentos formais para cegos no Brasil se deu no ano de 1854, no Instituto dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamim Constant, fundado na cidade do Rio de Janeiro, por iniciativa do governo imperial

Por O Dia

Michele Joia
Michele Joia -

Rio - O Dia Nacional do Braille, sistema de leitura com o tato para cegos, inventado pelo francês Louis Braille, foi comemorado em 8 de abril. Trata-se de um sistema em pontos relevo para o deficiente visual ler textos variados. A disposição desses pontos distinguem os caracteres uns dos outros, já que os alfabetos Braile, que são transcrições da escrita impressa, variam de língua para língua.

Os primeiros atendimentos formais para deficientes visuais no Brasil se deram no ano de 1854, no Instituto dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamim Constant, fundado na cidade do Rio de Janeiro por iniciativa do governo imperial.

Os cegos são 3,5% da população brasileira. Muitos se formaram e constituíram família. Há deficientes visuais doutores, professores e formados em Psicologia. Será que a educação para o cego, em um espaço específico, um instituto, para tais, os tornou pessoas difíceis de se conviver ou de trabalhar? Não, pelo contrário! É de extrema importância este centro de referência. Além de manter a escola, o instituto capacita profissionais da área da deficiência visual, assessora escolas e instituições em geral e oferece reabilitação física. Ou seja, forma sujeitos para a vida social e autônoma.

Escutei de uma deficiente visual uma vez que "eles" são abordados na rua por pessoas que querem ajudá-los de qualquer jeito e eles sentem-se constrangidos por vezes, porque percebem-se capazes de fazer algo sozinho. Fiquei perplexa ao ouvir e respondi em alto e bom som: Isso é gentileza! Está errado?

Ela me respondeu que não era para interpretar dessa forma! Hoje, diante da minha demanda de trabalho na inclusão e da diversidade na vida me pergunto: será então que, se minhas crianças especiais recebessem esse mesmo tratamento durante sua vida escolar e assim fossem inseridas na vida social para se tornarem laborais, não teriam uma vida melhor? E respondendo as duas questões anteriores, me pego refletindo que ela tinha razão!

Se os outros não percebem o deficiente visual como ser atuante, não deixarão de auxiliá-lo sempre, tentar dar a mão! Obviamente lembrando que não devemos deixar de lado as gentilezas, mas, se uma pessoa consegue reconhecer no outro a capacidade de ser autônoma, deixará de tratá-lo como pobrezinho e o tratará para a liberdade. Uma salva de palmas para a educação de cegos no Brasil, que através do Braille vem alfabetizando e trazendo para pessoas com deficiência visual o mundo não visível ao alcance das mãos e da mente!

Michele Joia é autora do livro “A inclusão de crianças na escola”

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