Guilherme Fainberg - Médico psicanalista - DIVULGAÇÃO
Guilherme Fainberg - Médico psicanalistaDIVULGAÇÃO
Por Guilherme FainbergMédico psicanalista

Rio - Vivemos em uma época, aonde precisamos fazer o máximo possível, no menor tempo. Adoecemos assim, por expectativas irreais. Nossos corpos não suportam a falha e o tempo natural das coisas. Não nos perdoamos por errarmos, quando poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tao bons, como diria Freud.

Quando tem-se que escolher uma coisa entre dez, muitos celebram o infortúnio da certeza que perderam nove. Nos tornamos neuróticos pelo eterno descontentamento.

Nas cidades grandes, capitais, regidas pela primazia da eficácia, qualquer mal como tristezas ou frustrações (que precisam ser vividas, ganham rótulo de depressão, há uma banalização da dor necessária e uma corrida para medicá-la).

Tristeza não é depressão. Necessitamos elaborar nossas perdas, nossos lutos,nossos infortúnios.Ultrapassar-los pensando repetindo e elaborando acerca dos fatos penosos que nos acometem. A medicalização dos sentimentos é uma pratica comum e equivocada seja com drogas ilícitas (que porventura ocupam este papel) ou lícitas que não deveriam ser prescritas em dadas circunstâncias.

Nas cidades do interior, mais bucólicas, acontece o processo inverso. Há uma tolerância exagerada, inclusive em casos patológicos como depressão e psicose.

Estas, não são vistas como doenças, mas como preguiça, desleixo ou capricho. A maneira pela qual é tomada a doença, lembra em muitos aspectos o ''passado'', porque o juízo de valor emitido entra no mérito,na intenção e no caráter do individuo.

Há uma banalização da doença e um certo relativismo por uma concepção de tempo distinta. Não se tem o direito ao adoecimento, o excesso de rigor diante do ser fragilizado pela doença faz com que este se sinta ainda pior e muitas vezes cometa o suicídio.

Sem dúvida alguma, doenças existem. Mais do que isso, assolam e devastam vidas. Não escolhem raça, credo ou cor, simplesmente acontecem e são silenciosas de início.

Cada caso deve ser entendido em seu contexto,através de uma ótica singular, levando-se em consideração desde aspectos culturais, orgânicos, epigenéticos e genéticos. Que ao final desta avaliação o médico suficientemente bom, possa com zelo e extremo bom senso, diferenciar aquilo que é normal do que é patológico em cada um.

Guilherme Fainberg é médico psicanalista

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